Combate ao suícidio nos Açores precisa de mais médicos
26 de jun. de 2025, 10:50
— Lusa
“Mais
médicos psiquiatras, sem dúvida! Se olharmos para a área da
pedopsiquiatria, devia ser prioritário porque é aquela onde há menos
profissionais”, defendeu aquele profissional de saúde, durante uma
audição na Comissão de Assuntos Sociais da Assembleia Legislativa dos
Açores, reunida em Angra do Heroísmo.Henrique
Prata Ribeiro, que coordenou, durante quase dois anos, a estrutura
regional responsável por definir as medidas de prevenção e de combate ao
suicídio nos Açores, foi ouvido pelos deputados na sequência de uma
proposta do deputado único do PAN, Pedro Neves, que propõe uma nova
estratégia de combate ao suicídio nas ilhas.Um
dos projetos que o médico tentou, na altura, implementar na região para
minimizar a falta de profissionais de saúde nesta área foi a criação de
um banco de médicos, oriundos do continente, que estariam disponíveis
para se deslocarem aos Açores para darem consultas, mas lembrou agora
que a medida não teve grande aceitação.“O
banco de médicos era uma lista de psiquiatras, que se manifestaram
disponíveis para colaborarem com a Região Autónoma dos Açores, para se
deslocarem à região para fazerem consultas, mas a verdade é que houve
uma grande relutância por parte dos diretores de serviços em aceitar
essa modalidade”, lamentou o psiquiatra.A
falta de médicos psiquiatras nos Açores é um problema que já tinha sido
sinalizado por Luís Melo, diretor clínico da Casa de Saúde de São
Rafael, na Ilha Terceira, que foi ouvido pelos deputados açorianos em
abril, a propósito da mesma proposta legislativa do PAN.“Toda
a região está carenciada de médicos psiquiatras. Já não digo só
psiquiatras. Mesmo ao nível de enfermagem, ao nível das equipas
multidisciplinares, os psicólogos, tudo isso são precisos numa
assistência psiquiátrica, que seja holística”, defendeu, na altura,
aquele profissional de saúde.O PAN diz
estar preocupado com o elevado índice de mortes por suicídio que ocorrem
nos Açores (superior à media nacional), por isso entende que é
necessário criar uma nova estratégia de combate às doenças mentais.“Urge
combater os números avassaladores da taxa de suicídio da região. Temos
de criar uma estratégia eficaz para a prevenção ao suicídio. É fulcral
uma sociedade compassiva com as problemáticas de saúde mental e
respetivas consequências, para travar este fenómeno”, justifica o
partido no projeto de resolução entregue na Assembleia Legislativa dos
Açores.Um estudo divulgado em 2023,
elaborado pelo psiquiatra João Mendes Coelho, sobre a caracterização da
população suicida, entre os anos 2001 e 2021, revela um aumento do
número de casos de suicídio nos Açores, em contraciclo com a redução
registada no resto do território nacional.“Para
o conjunto do país temos 8,9 mortes por suicídio, por 100 mil
habitantes. Aqui na região temos 14,7 e, especificamente para São
Miguel, estamos com 16,4, ou seja, quase o dobro da taxa do país”,
revelou, na altura, o psiquiatra.