Combate ao 'bullying' tem de contar com os jovens que testemunham agressões
26 de set. de 2025, 15:27
— Lusa/AO Online
“O
nosso papel deve ser atuar junto de todos aqueles que observam,
testemunham e sabem o que acontece na escola e online. São eles que têm o
poder de parar com essas ações” disse a psicóloga Susana Fonseca
durante o seminário “Entre o real e o virtual – Segurança, dependências e
dinâmicas familiares”, a decorrer na Escola Superior de Comunicação
Social, em Lisboa.A professora foi uma das
oradoras do painel sobre o impacto deste tipo de violência na vida dos
jovens, em que se discutiu também formas de detetar indícios de bullying
e estratégias de prevenção.Para a docente
do ISCTE, é preciso trabalhar competências de cidadania digital com os
alunos, mas também é preciso olhar para lá dos muros das escolas: Susana
Fonseca condenou, por exemplo, a divulgação de imagens de
‘bullying’ por parte dos ‘media’, considerando que nestes casos também a
comunicação social se tornam “bully”.Também
a docente e psicóloga Sónia Seixas defendeu o combate do fenómeno
através de campanhas junto dos jovens com "projetos que incluem os
miúdos”.“Ainda sinto nas escolas alguma
confusão entre o que é o ‘bullying’ e o que são comportamentos mais
violentos”, revelou a psicóloga, lembrando que o primeiro é um
comportamento premeditado e repetitivo em que existe abuso por parte de
alguém que domina outro alguém incapaz de se defender.Para
Sónia Seixas, o ‘ciberbullying’ é mais agressivo para as vítimas do que
o bullying, porque “não conseguem escapar ao ciberbullying”, enquanto
os ataques de ‘bullying’ ficam restritos ao tempo em que estão na
escola, que pode terminar todos os dias às quatro ou cinco da tarde e
não ocorre ao fim de semana: “No ciberbullying podem ser vítimas sete
dias por semana durante 24 horas”.Apesar
dos novos perigos, os três especialistas do primeiro painel da manhã
lembraram que durante muito tempo o ‘bullying’ existia nas escolas, mas
ninguém o identificava como um problema.“Antes
eram sinalizados pelos nossos polícias sem grande preocupação”,
recordou o intendente da PSP Hugo Guinote, também convidado para
participar no painel, explicando que o assunto ganhou já uma atenção
especial e hoje “cada caso é tratado como um caso individual, deixando
de ser um fenómeno grupal”.Hugo Guinote
sublinhou a importância das parcerias entre as forças de segurança e as
escolas, mas também a importância da promoção do diálogo nas escolas e
nas famílias, “um hábito que se foi perdendo”.“Esta
é a chave para perceber melhor os problemas que existem em cada um dos
elementos do agregado familiar. Havia anos em que não conseguíamos ir
acompanhando o que preocupava as crianças e as crianças também
desconheciam o que preocupava os pais”, acrescentou o responsável da
PSP.Seguiu-se um outro painel de
especialistas que abordou a utilização problemática da internet,
alertando para o impacto negativo no desenvolvimento e comportamento das
crianças e jovens e a importância do controlo parental, das dinâmicas
familiares e do papel das instituições na proteção dos mais jovens.No
último ano letivo, um dos temas que mais preocupou as equipas do
Programa Escola Segura, da PSP, foi precisamente a utilização segura e
responsável da internet e das redes sociais por parte dos jovens.No
discurso de abertura do seminário, o secretário de Estado Adjunto da
Administração Interna, Paulo Simões Ribeiro, recordou algumas medidas do
Governo, como a proibição do uso de smartphones nas escolas a todos os
alunos até ao 6.º ano ou o plano para dar mais formação a professores e
alunos sobre esta matéria.Paulo Simões
Ribeiro lembrou também o projeto para incentivar a denúncia de casos de
‘bullying’ com a criação de canais de denúncia que garantam a
privacidade.