Com o motor desligado, Armindo Araújo dedica-se aos têxteis para combater o vírus
Covid-19
21 de abr. de 2020, 12:53
— Lusa/AO Online
O pentacampeão
nacional de ralis explicou à Lusa que o que não pode fazer como piloto
tem sido largamente ‘compensado' pelo muito trabalho que a fábrica tem
gerado, dizendo mesmo que a luta contra a Covid-19 abriu portas a um
"novo mercado"."É um novo negócio que está
a surgir, obviamente. Estamos atentos e a tentar vender um produto de
qualidade, certificado, e, por agora, temos tido uma boa aceitação",
afirmou o piloto de Santo Tirso, reconhecendo que a empresa teve de
adaptar a produção à chegada dos novos pedidos.Apesar
do esforço para corresponder às encomendas, Armindo Araújo revelou que a
maior dificuldade tem sido perceber o que as autoridades de saúde
exigem para a produção deste tipo de materiais e deixa um apelo."É
preciso que as autoridades de saúde e os centros que podem homologar os
tecidos digam o que querem, mas estamos a tentar o possível para dar
uma ajuda ao mercado que pede este tipo de tecidos. O que queremos é que
exista uma melhor definição das regras para podermos produzir os
tecidos com o nível de proteção necessária", frisou.O
campeão mundial do agrupamento de produção em 2009 e 2010 disse
acreditar que vai ser no norte - zona mais afetada pela pandemia - e na
sua dedicação ao setor têxtil que o país vai encontrar resposta ao
desafio do primeiro-ministro, António Costa, que, recentemente, afirmou
que nos próximos 15 dias de duração do estado de emergência o país tem
de ser capaz de levar por diante uma "massificação de máscaras de
proteção comunitária"."Não baixamos os
braços e temos trabalhado muito para responder aos pedidos neste mercado
novo", prosseguiu Armindo Araújo, admitindo que, apesar de a Lemar
nunca ter chegado a parar, muitas encomendas foram canceladas ou estão à
espera de ser entregues."Temos sentido
bastante dificuldades em enviar o nosso produto para clientes de todo o
mundo que pararam a sua atividade. O mercado italiano esteve encerrado
nas duas últimas semanas, mas nesta última semana já se notou diferença,
com clientes a pedirem alguns tecidos", contou, animado, o
administrador, que rejeita dramatismos apesar de antecipar dificuldades."A
vida vai rolando, todos temos de nos adaptar a estas medidas de
precaução, mas temos de andar. Se paramos, não morremos da doença, mas
morremos da cura", sublinhou.Este ano Armindo Araújo venceu o Rali Serras de
Fafe e Felgueiras, prova de abertura do Nacional, dias antes de todas as
competições terem sido adiadas.Sem meias
palavras, o pentacampeão nacional assumiu a preocupação pelo futuro da
modalidade e revelou que tem "poucas esperanças" de que surjam apoios
para fazer frente a esta paragem."O
desporto vai ser muito afetado em termos económicos e, neste momento,
percebo e concordo que seja relegado para segundo plano. Mesmo assim, é
preciso ter noção de que é uma atividade que está irremediavelmente
comprometida para este e para os próximos anos. Vamos morrer para voltar
a nascer", considerou Armindo Araújo, que prevê ainda dificuldades em
manter muitos dos patrocinadores que apoiam estes projetos desportivos.