Colóquio e visita dançada encerram mostra de Lourdes Castro
Hoje 09:59
— Susete Rodrigues
A Aula Magna da Universidade dos Açores e o Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas recebem, entre hoje e sábado, o encerramento da exposição da artista plástica madeirense Lourdes Castro ‘Existe Luz na Sombra’, que está a decorrer, desde setembro do ano passado, no Arquipélago.Hoje e amanhã, o palco é a Universidade dos Açores que recebe o colóquio ‘Sombra-Luz’, dedicado à vida e obra da artista. No dia 31 de janeiro, tem lugar, no Arquipélago, a estreia nacional da visita dançada.Em declarações ao jornal Açoriano Oriental, Márcia de Sousa, curadora da mostra, explica que a programação que foi sendo desenvolvida ao longo destes meses “permitiu-nos pensar as comunidades educativas, particularmente a academia, e tentar desenvolver um projeto que permitisse pensar um pouco os contextos relativos às artes plásticas e às artes contemporâneas no seu todo”.Desta forma, surgiu a ideia de estender a parceria já alargada, através do MUDAS.Museu de Artes Contemporâneas da Madeira, do Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas, da Sociedade Nacional de Belas Artes e outros parceiros que se juntaram ao projeto, como a Companhia Dançando com a Diferença, “para estendê-la à Universidade dos Açores e organizarmos este colóquio para, em conjunto, pensarmos diversas fases, enquadramentos e perspetivas da vida e obra de Lourdes Castro”, que, apesar de ter nascido na Madeira, “é uma das artistas de maior relevo nacional dos últimos 70 anos e com uma obra pioneira, se calhar até avant-garde, em relação à sua época.”Márcia de Sousa adianta que, em paralelo, optaram por fazer um convite a um conjunto de “investigadores de várias áreas, não só das artes plásticas, da história, da filosofia, da estética, mas também cineastas, performers no campo do corpo e da dança, que muito tem a ver também com a obra de Lourdes Castro”, para igualmente, “pensarmos os enquadramentos que envolveram a obra da Lourdes e trazer à comunidade outras perspetivas, nomeadamente de que forma é que a obra de Lourdes Castro pode influenciar as novas gerações, de que maneira é que ela já influencia as atuais”.Portanto, estas perspetivas serão trabalhadas através das comunicações que “serão levadas a palco pela professora Raquel Henriques da Silva, que foi uma das diretoras do Museu Nacional de Arte Contemporânea; pelo professor Nuno Faria, é o atual diretor da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva”.Marcam presença também no Colóquio, o arquiteto Victor Mestre, com uma “comunicação específica sobre a obra maior de Lourdes Castro, nomeadamente a sua casa, o seu jardim, o seu legado, e não só pensando os caminhos construtivos que levaram à estrutura que hoje existe, mas também pensando o futuro daquela estrutura”. Haverá, ainda, outras comunicações de Rita Rodrigues, Graça Alves - atual diretora do Museu de Arte Sacra do Funchal -, Leonor Keil - atriz, coreógrafa e encenadora -, que, “pelas suas relações familiares, teve uma proximidade, durante a sua infância, com a Lourdes Castro; entre outros convidados”, referiu a curadora.“Gosto de andar à sombra”No dia 31 de janeiro, pelas 11h30, o Arquipélago recebe a visita dançada, da Companhia Dançando com a Diferença. A coreografia de Leonor Barata foi desenhada especificamente para este último momento da mostra e irá “criar a proximidade entre as dinâmicas relativas às Artes Performativas e a tudo o que está exposto na exposição, convidando o público a interagir, de uma forma até disruptiva, com aquilo que é o tradicional dos circuitos expositivos, através de um diálogo com a Companhia de Dança, que vai fazer fruir a exposição de outra maneira”, afirmou Márcia de Sousa.Entretanto, no dia 1 de fevereiro, pelas 16h00, decorrerá uma nova exibição desta visita dançada, no Arquipélago.Márcia de Sousa salienta que haverá outras sessões desta visita dançada em contexto nacional, mas “escolhemos os Açores, em particular a ilha de São Miguel, para a primeira exibição deste projeto”. Isto porque “começamos um pouco ao contrário”, ou seja, quando se pensa em grandes exposições nacionais, “pensamos sempre, primeiro no continente e depois para as ilhas. Achamos que não, porque sendo nós ilhéus e também os Açores um arquipélago irmão, era importante conseguirmos que o primeiro ponto de partida fosse daqui dos Açores, até porque Lourdes Castro nunca tinha exposto nos Açores e esta foi a forma, apesar de ser póstuma, de a fazermos passar por cá”.Balanço positivoA curadora faz balanço positivo da passagem deste projeto pelos Açores, afirmando que “pelo feedback que temos recebido do Arquipélago e da comunicação que temos constantemente com a equipa daqui, temos sentido muito acolhimento, muita procura pela exposição, e sobretudo curiosidade porque as pessoas vão ouvindo falar do nome da Lourdes Castro, ou já ouviram falar, e isso faz com que procuram e querem saber mais. Isso é muito bom, é o que nos move”, finalizou.Recorde-se que este é um projeto financiado pela DGARTES, através da Rede Portuguesa de Arte Contemporânea, e resulta de uma parceria do Governo Regional da Madeira, por via do MUDAS.Museu de Arte Contemporânea da Madeira, e do Governo Regional dos Açores (Direção Regional da Cultura), através do Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas, e da Sociedade Nacional de Belas-Artes.