Coligação diz que ainda “há muito a fazer” para reduzir abandono escolar nos Açores
8 de ago. de 2024, 17:55
— Lusa/AO Online
“Há muito
a fazer, apesar da evolução muito rápida, que nós julgamos que será
progressiva […] nos próximos anos”, disse o deputado
social-democrata Joaquim Machado.A taxa de abandono precoce de educação e formação nos Açores, lembrou, era de 27% em 2019 e em 2020, e foi de 21,7% em 2023.“Há
aqui uma descida de mais de cinco pontos percentuais, mas quando a
comparamos com os 8% do país, naturalmente temos de reconhecer que
estamos muito distante de uma meta que a própria região, pela governação
anterior, tinha definido para o ano de 2020, que seria de 10%. E,
portanto, há aqui um longo caminho a fazer”, admitiu.O
deputado falava em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, na
delegação da Assembleia Legislativa Regional, em nome dos grupos
parlamentares da coligação, numa conferência de imprensa onde apenas
foram abordados os resultados escolares obtidos pelo sistema educativo
açoriano em 2024.Segundo Joaquim Machado,
uma das medidas para baixar a taxa de abandono precoce de educação e
formação no arquipélago “é o acompanhamento individualizado que a região
já está a fazer, dos jovens entre os 18 e os 24 anos, que estão nessa
situação ou em risco de nela entrarem”.A
este trabalho junta-se “um reforço que toda a gente reconhece do ensino
profissional como alternativa ao ensino regular, por ter uma componente
mais prática, muito mais atrativa, às vezes também em domínios ou em
áreas que têm maior afinidade com alguma carga cultural” nas comunidades
locais, como a agricultura e as pescas.
“Cremos que a conjugação de todos estes esforços pode concorrer para
uma progressiva redução deste fenómeno que, naturalmente, não pode
orgulhar ninguém, muito pelo contrário”, assumiu.Na
análise dos resultados das políticas educativas aplicadas este ano na
região, os três partidos da coligação referiram que o setor “está em
boas mãos”.“Os mais recentes resultados
verificados nos exames e provas nacionais evidenciam uma evolução
positiva, significativamente ainda melhor na comparação com o último ano
letivo antes da pandemia”, disse Joaquim Machado.Os
resultados, indicou, “são muito animadores, confirmam o acerto do que
se tem vindo a realizar e, sobretudo, motivam para fazer o muito que
ainda falta”.O porta-voz realçou que no
ensino secundário, em 10 disciplinas, a média da região é superior à
nacional, inclusivamente em Português e em Matemática A. “Geometria
Descritiva, Geografia A, Espanhol (iniciação), Inglês (continuação),
Desenho A, História e Cultura das Artes, Latim A e Literatura Portuguesa
são as outras disciplinas nas quais os alunos dos Açores ficaram à
frente da média do país”, disse.Já os
resultados obtidos pelos alunos açorianos na segunda fase das provas do
9.º ano, "embora continuem a registar médias negativas, mostram uma
subida positiva em relação ao ano letivo passado”. Em Português, a média
foi superior ao todo nacional.“Nesta
disciplina, os 114 alunos açorianos que realizaram a prova obtiveram uma
média de 44,8%, enquanto em 2023 se tinha ficado por 33,9%”, vincou.Em
Matemática, a média registada este ano pelos 110 alunos que fizeram a
prova é de 22,1%, quando no ano passado tinha sido de 18%.Por
comparação com o número nacional, na Matemática os Açores “distam cerca
de três pontos percentuais da média geral (22,1% versus 25%)”.