Coligação acusa PS de "aproveitamento político" sobre estrada na Terceira
7 de set. de 2024, 16:09
— Lusa
"As
imagens comprovam que o local está com uma perigosidade muito elevada. A
prioridade do Governo Regional tem sido a segurança das pessoas. E
achamos que é uma falta de bom senso da parte do PS tentar fazer
aproveitamento político de toda essa questão", afirmou o deputado do
PSD/Açores e vice-presidente do grupo parlamentar social-democrata
açoriano, Paulo Gomes, numa conferência de imprensa junto ao local.Desde
14 de janeiro que a estrada principal entre as freguesias da Serreta e
Raminho, no concelho de Angra do Heroísmo, está encerrada, devido a uma
derrocada provocada por um sismo de 4,5 na escala de Richter, inserido
na crise sismovulcânica em curso na ilha Terceira desde junho de 2022.Na
sexta-feira os dirigentes do PS da ilha Terceira acusaram o Governo dos
Açores (PSD/CDS/PPM) de “inação” e “desconsideração” pela população,
por ter demorado oito meses a avançar com as obras de limpeza da
estrada.“Levaram cerca de oito meses para
fazer uma intervenção de limpeza e remoção das pedras no troço que liga o
Cabo do Raminho à Mata da Serreta, quando desde que houve a crise
sísmica foi algo que a população exigiu e as circunstâncias de há oito
meses se mantêm exatamente iguais”, afirmou, em declarações aos
jornalistas, o deputado do PS eleito pela ilha Terceira Luís Leal, numa
conferência de imprensa, junto ao local.O
deputado socialista acusou o executivo de “completa desconsideração” e
de tentar iludir a população, porque as obras arrancaram nas vésperas da
peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora dos Milagres, na freguesia
da Serreta.Luís Leal rejeitou ainda que o
chumbo do Orçamento da região para 2024, motivo da realização de
eleições antecipadas, em fevereiro, seja uma justificação para o atraso
nas obras.Hoje numa conferência de
imprensa os deputados da coligação PSD/CDS-PP/PPM eleitos pela ilha
Terceira criticaram as declarações socialistas, sublinhando que "a
prioridade do Governo Regional tem sido a segurança das pessoas e a
salvaguarda da vida humana". "Esta tem
sido a grande prioridade do Governo Regional da qual os partidos da
coligação subscrevem na íntegra", vincou o deputado do PSD/Açores Paulo
Gomes.O deputado açoriano disse que o PS
foi "durante 24 anos alertado pelas Juntas de Freguesia e pela população
para o perigo" na estrada do Raminho, mas "nada foi feito".Paulo
Gomes destacou a ação do Governo Regional de coligação nesse processo
da estrada, realçando que "está tudo a decorrer nos timings corretos"."Todos
nós querermos que as coisas se revolvam muito rapidamente, mas nem
sempre é possível. E, reitero: quem vem ao local pode comprovar que
realmente é uma situação de grande perigo para as pessoas e o Governo
Regional tem dado prioridade à salvaguarda da vida das pessoas e à
segurança", reforçou o vice-presidente do grupo parlamentar
social-democrata açoriano. Relativamente à
via alternativa àquele troço, o parlamentar realçou que o Governo
Regional "tem tido a preocupação de melhorar" a sinalização e o piso da
estrada, rejeitando criticas do PS, que alegou que oito meses depois da
derroca “continua por asfaltar, por ter luz e por melhorar”."Também
achamos uma demagogia atroz falar da iluminação. E, é falso que as
pessoas têm de fazer demoram mais do que uma hora e meia para percorrer a
estrada, porque bastam entre 10 a 15 minutos", apontou.Paulo Gomes admitiu não ser a situação "ideal", mas lembrou o panorama atual com a ocorrência diária "de muitos sismos".Mas,
acrescentou o deputado, "esse processo deve ser bem gerido", tendo em
conta a salvaguarda da vida humana e a segurança das populações, e nessa
matéria "o Governo Regional tem sido exímio".Quanto
às criticas do PS, que acusou o executivo de ter demorado oito meses
para avançar com as obras de limpeza da estrada, o parlamentar lembrou
que quando ocorreu a grande derrocada na via os Açores estavam "em
campanha eleitoral devido ao chumbo do orçamento regional que foi
promovido pelo PS e BE". O Governo
Regional lançou, em 26 de julho, o concurso para a conceção e construção
da reabilitação do talude, que apresenta “sinais de instabilidade”, por
um valor base de quatro milhões de euros.Entretanto,
o executivo adjudicou uma empreitada de desmatação e desmonte de rochas
em talude, por cerca de 363 mil euros, que se iniciou na quarta-feira,
por um período de 45 dias.“Sem prejuízo de
uma intervenção mais estrutural na estrada em causa, tornou-se
necessário avançar desde já com uma contratação de emergência devido ao
aumento significativo da atividade sísmica no perímetro do vulcão de
Santa Bárbara, acompanhado de sinais de deformação radial, o que
aconselha à abertura da via, para efeitos de criação de alternativas de
acesso”, justificou o Governo Regional, em comunicado.O
Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA)
elevou, no dia 27 de junho, o nível de alerta do vulcão de Santa
Bárbara, para V3, numa escala de 0 a 6, em que 3 significa a confirmação
da reativação do sistema vulcânico.