Coletivo Anti-Racista denuncia estudante agredido no Faial em "ataque súbito"
5 de jun. de 2025, 16:11
— Lusa/AO Online
Segundo
o Coletivo Anti-Racista da Ilha do Faial, o estudante, de “origem
africana, foi brutalmente agredido na cidade da Horta, ilha do Faial,
pelas 05h20 da manhã”, enquanto “conversava com outras pessoas na rua”,
próximo de um bar encerrado.O alegado
agressor, que "continua por identificar", atingiu a vítima "na cabeça
com violência" e esta "caiu inconsciente", de acordo com o Coletivo,
revelando que o estudante sofreu “lesões nos lábios e na face, além de
um corte de cerca de 10 centímetros no crânio”.Num
comunicado de imprensa, o Coletivo Anti-Racista do Faial refere que o
estudante foi "socorrido por um colega" e transportado ao Hospital da
Horta, onde "foi atendido". Posteriormente, foi "apresentada queixa à
polícia".Ainda segundo a organização, a
vítima encontra-se "em recuperação", mas está “emocionalmente abalada” e
já ponderou "a desistência universitária ou uma mudança de cidade". O
Coletivo Anti-Racista da Ilha do Faial condena esta agressão, que surge
"pouco mais de um ano depois da morte de Ademir Moreno, cidadão
cabo-verdiano que morreu após agressão semelhante na mesma cidade".Um elemento do Coletivo adiantou à agência Lusa que o julgamento deste caso iniciou-se hoje, na Terceira."A
família, amigos e comunidade aguardam agora que o sistema de justiça
atue de forma exemplar, não apenas punindo o culpado, mas reconhecendo a
gravidade de um crime com contornos de motivação racial", lê-se no
comunicado de imprensa.Ademir Moreno, 49
anos, natural da Praia, trabalhava no ramo da construção civil e foi
vítima de uma agressão na via pública, tendo falecido em 19 de março de
2024, no Hospital da Horta.O Coletivo
Anti-Racista da Ilha do Faial refere que a comunidade "está alarmada com
estes casos de violência contra a comunidade negra e imigrante",
considerando ser "imperativo" uma investigação "célere e séria" e que
haja "visibilidade, análise e posicionamento político sobre o caso". "Dois ataques semelhantes num intervalo de um ano não podem ser tratados como coincidência. É hora de agir", alerta.