Colégios médicos têm até dezembro para propor novos rácios nas urgências
19 de set. de 2025, 12:00
— Lusa/AO Online
O Público noticia que o
bastonário da OM, Carlos Cortes, pediu na quinta-feira aos colégios de
especialidade para reverem o regulamento que define a constituição das
equipas médicas nos serviços de urgência que deverá estar terminado no
início do próximo ano.Carlos Cortes
ressalvou, contudo, que atualizar não significa necessariamente rever em
baixa o rácio de médicos necessários nestes serviços.Em
declarações à agência Lusa, o bastonário explicou que se trata de “uma
recomendação técnico-científica da Ordem dos Médicos para garantir a
qualidade e a segurança de todos de doentes, utentes, equipas e de
médicos também”.Segundo o bastonário, a
decisão de atualizar o regulamento já foi tomada “há algum tempo e só
não foi ainda concretizada porque houve um processo eleitoral por via da
revisão do estatuto da Ordem dos Médicos que impôs eleições
antecipadas”, que decorreram no final de maio.Carlos
Cortes referiu que o último regulamento foi publicado em 2022 e que, já
naquela altura, houve alguns colégios que pediram a sua atualização,
dado tratar-se de “um processo demorado”, que levou cerca de um ou dois
anos.Para o bastonário, “é mais do que
razoável” que, passados três anos desde a sua publicação oficial, “os
procedimentos sejam revistos à luz” das recomendações internacionais, da
atualização técnico-científica, e da estrutura do país, que mudou nos
últimos anos: “Já não temos hospitais, temos ULS”.“Não
é um processo político, não é um processo de gestão, esse é do
Ministério da Saúde. Agora, naquela que é a autonomia técnica da Ordem
dos Médicos, entendemos que era muito importante desenvolver este
processo, iniciar o processo, até porque é um processo longo”, vincou.Destacou
ainda que é um documento transversal ao setor público, privado e
social: “Não é um documento para o SNS, é uma recomendação global para
todas as entidades que prestam cuidados de saúde em contexto da
urgência”.Questionado se esta revisão terá
impacto no funcionamento das urgências, nomeadamente de Ginecologia e
Obstetrícia, que têm sofrido constrangimentos e encerramentos devido à
falta de médicos, afirmou ter “plena noção da importância deste
regulamento e do impacto que tem diretamente nos cuidados de saúde” e na
população.“Tenho perfeitamente esta
noção. E a Ordem dos Médicos assumirá a sua responsabilidade sempre
neste prisma absolutamente irrevogável e intocável da qualidade
técnico-científica da autonomia, da independência, da Ordem dos
Médicos”, frisou.Carlos Cortes disse que
nos últimos anos tem havido “uma vontade muitas vezes política de
interferir com as decisões técnicas da Ordem dos Médicos”, mas garantiu
que não será o caso desta revisão, “que é uma análise exclusivamente
técnica, exclusivamente da Ordem dos Médicos”.“Não
é um documento estático, não é um documento imutável”, disse o
bastonário, explicando que é preciso incorporar nele a atualização
técnico-científica e as condições da prestação de cuidados de saúde em
contexto de urgência e emergência em Portugal. Carlos
Cortes explicou que o processo vai ter uma primeira fase, uma fase de
trabalho nos colégios, que pediu que fosse concluída até dezembro.
Depois há uma segunda fase, de trabalho jurídico, dentro da OM.Segue-se
a fase de discussão pública do documento, e, finalmente, a fase de
aprovação na Assembleia de Representantes da OM, e por último o envio
para o Ministério da Saúde para poder ser publicado.