COI recupera testes genéticos e exclui mulheres transgénero dos Jogos Olímpicos
Hoje 17:11
— Lusa/AO Online
“A
elegibilidade de qualquer atleta feminina, em qualquer categoria dos
Jogos Olímpicos ou evento organizado pelo COI, incluindo desportos
individuais ou coletivos, está agora limitado ao género biológico
feminino, (...) determinado com base na realização de um teste único do
gene SRY”, que já esteve em vigor entre 1968 e 1996, informou o
organismo olímpico, em comunicado.Segundo o
COI, a nova política de elegibilidade “promove a justiça, segurança e
integridade da categoria feminina” nos Jogos Olímpicos, em linha com a
ordem executiva do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, país
anfitrião da próxima edição da mais importante competição desportiva
mundial.Além da exclusão de atletas
transgénero (não sendo conhecida nenhuma com resultados que permitam a
participação em Jogos Olímpicos), a imposição de um teste genético vai
excluir também algumas atletas intersexo, mesmo que tenham nascido com
características genitais femininas, como é o caso da pugilista argelina
Imane Khelif.Khelif, de 26 anos, sagrou-se
campeã olímpica da categoria de -66 kg no torneio de boxe de Paris2024,
marcado pela polémica, depois de a Associação Internacional de Boxe –
que foi afastada do movimento olímpico -, ter revelado estar na posse de
testes, nunca divulgados, que provam que a atleta argelina é,
biologicamente, do género masculino.“O COI
considera, com base em evidências científicas, que a presença do gene
SRY é permanente ao longo da vida e representa uma evidência altamente
precisa de que um atleta passou pelo desenvolvimento sexual masculino.
Além disso, o COI considera que a triagem do gene SRY por meio de
saliva, esfregaço bucal ou amostra de sangue é pouco invasiva em
comparação com outros métodos”, sustentou o organismo olímpico.O
COI assinalou que existem “vantagens no desempenho individual” do
género masculino em modalidades “que dependem de força, potência e/ou
resistência”, mas precisou que as novas regras não têm efeitos
retroativos, pelo que os resultados obtidos por atletas como Khelif não
serão revistos.“Como ex-atleta, acredito
fervorosamente no direito de todos os atletas olímpicos de participarem
de competições justas. A política que anunciámos é baseada na ciência e
no contributo de especialistas médicos. Nos Jogos Olímpicos, margens
mínimas podem significar a diferença entre a vitória e a derrota.
Portanto, é absolutamente claro que não é justo que homens biológicos
compitam na categoria feminina”, observou a presidente do COI, Kirsty
Coventry.A ex-nadadora olímpica
zimbabueana advertiu que “todos os atletas devem ser tratados com
dignidade e respeito”, pelo que “os exames médicos devem ser realizados
apenas uma vez na vida”, sendo “fundamental que haja informações claras
sobre o processo e que seja possível oferecer aconselhamento, além de
orientação médica especializada”.