Cofaco em São Miguel ameaça greve após anúncio de despedimentos no Pico
10 de jan. de 2018, 17:42
— Lusa/AO online
De
acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Alimentação,
Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços dos Açores
(SABCES/Açores), Vítor Silva, os trabalhadores em Rabo de Peixe "não vão
baixar os braços" para lutar pela salvaguarda dos postos de trabalho
dos seus colegas na ilha do Pico. "Existe
a possibilidade, até como forma de solidariedade, de haver greve na
outra unidade fabril da Cofaco, ou seja, na Cofaco de Rabo de Peixe",
afirmou Vítor Silva.Em
causa está o anúncio de terça-feira da administração da conserveira
Cofaco, dona da marca Bom Petisco – a empresa transmitiu que iria
proceder ao "despedimento coletivo" dos 180 trabalhadores da fábrica do
concelho da Madalena, na ilha do Pico, com direito a indemnização e
fundo de desemprego.A
fábrica vai, contudo, manter os trabalhadores até abril, altura em que
arrancam as obras para a construção da nova unidade industrial, que
deverá estar edificada dentro de 18 meses a dois anos.O
secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia dos Açores, Gui
Menezes, afirmou hoje que o executivo recebeu a garantia da conserveira
de readmitir "a grande maioria" dos trabalhadores assim que a nova
fábrica estiver a funcionar, também no Pico. O sindicalista Vítor Silva criticou também a postura do Governo Regional. "Lamentar,
de facto, a posição do Governo Regional nesta matéria, o silêncio que
teve até ao momento. E por aquilo que nós sabemos já tinha conhecimento
desta situação. Ainda hoje o secretário Gui Menezes o que foi comunicar
aos trabalhadores, como se essa situação fosse uma situação já
inevitável e encerrada […]. Não é esta a posição dos trabalhadores e
existe determinação em lutar ainda por aqueles postos de trabalho",
concretizou.O
dirigente admitiu que a decisão sobre uma greve em Rabo de Peixe
(concelho da Ribeira Grande) poderá sair de um plenário de trabalhadores
agendado para sexta-feira, às 15:00 locais (16:00 em Lisboa).Na próxima semana os sindicalistas querem reunir-se "com as forças políticas e Governo Regional" para discutir este caso.Vítor Silva lembrou ainda "a importância social e económica" da Cofaco."Estaremos
aqui a falar à volta de três centenas de trabalhadores que, direta ou
indiretamente, vão ter consequências desta situação da Cofaco", alertou.O
sindicalista acredita que será possível "salvaguardar todos" ou "parte
significativa" dos trabalhadores, defendendo que deve ser dada
"prioridade" às pessoas que já trabalham na Cofaco."Os
trabalhadores da unidade fabril do Pico da Cofaco trabalham há três
anos em condições terríveis, chove dentro das instalações, as condições
de trabalho são mesmo terríveis, mas foram sempre aguentando essas
condições, sempre com a promessa de que iria ser feita uma nova unidade
fabril. O que nós verificamos agora é que, de uma hora para a outra, são
confrontados com um anúncio que não vai de acordo com as expetativas,
nem com aquilo que foi dito ao longo do tempo", considerou.Segundo Vítor Silva, outra das preocupações sindicais tem a ver com a idade dos trabalhadores."Estamos
aqui a falar de uma empresa em que um número muito significativo de
trabalhadores tem mais de 50 anos. São muito novos para a reforma, mas
por outro lado têm uma idade avançada para integrarem o mercado de
trabalho", lembrou.O
presidente do SABCES/Açores lembrou que o processo da Cofaco está cheio
de "contradições", questionando mesmo a verdadeira intenção de
construir uma nova fábrica na ilha do Pico."É
perfeitamente legítimo que os trabalhadores e os seus representantes
tenham muitas dúvidas quanto à construção de uma nova unidade fabril,
porque o processo e as promessas já se arrastam há muito tempo", disse.