CNE defende que Livre deve ser incluído nos debates televisivos
Legislativas
15 de dez. de 2021, 13:41
— Lusa/AO Online
Na
semana passada, o Livre anunciou que iria avançar com uma providência
cautelar contra os três canais generalistas de televisão e uma queixa à
Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) pela exclusão dos
debates para as eleições legislativas, argumentando que a “lei é clara”
quanto ao seu direito de participação.Numa
deliberação tomada em reunião plenária e à qual a Lusa teve acesso, “a CNE é de parecer que a ERC recorra à determinação de uma
medida provisória que impeça que a situação se concretize, sem prejuízo
da decisão que venha a tomar no final”.Nesta
posição, remetida na terça-feira à noite por email ao partido Livre, a
CNE sustenta que “a situação participada indicia a assunção de uma linha
editorial que não respeita” o regime jurídico da cobertura jornalística
em período eleitoral, nomeadamente o critério da “representatividade
política e social das candidaturas, aferida em função de o proponente da
candidatura ter obtido representação nas últimas eleições
legislativas”.A CNE salienta que “este
diploma não admite o afastamento dos debates de uma candidatura
apresentada por um partido político que na anterior eleição tenha obtido
representação parlamentar, como é o caso do Livre” e alerta que
“quaisquer vicissitudes ocorridas durante o mandato parlamentar não
foram relevadas pelo legislador, o que significa que é abusiva uma
interpretação diferente”.“Ademais,
violaria frontalmente aqueles princípios constitucionais e a lei
eleitoral aplicável, fazendo tábua rasa do princípio da igualdade de
tratamento e da não discriminação, princípios que são estruturantes do
nosso sistema eleitoral constitucional, distorcendo-os para além do
tolerável”, defende ainda a CNE.O Livre
conseguiu representação parlamentar nas últimas legislativas, com a
eleição de Joacine Katar Moreira. No entanto, em 2020 a deputada passou à
condição de não inscrita.Neste parecer, a
CNE sustenta ainda que a Constituição “consagra o principio de direito
eleitoral da igualdade de oportunidades e de tratamento das diversas
candidaturas” e que o regime jurídico da cobertura jornalística em
período eleitoral estabelece que os tratamentos dos diferentes partidos
devem ser “devidamente articulados e coordenados com os princípios que
salvaguardam a igualdade de tratamento das candidaturas, assim como com o
princípio da neutralidade e imparcialidade das entidades públicas”.Na
segunda-feira, o JN noticiou que representantes dos partidos políticos
estiveram reunidos com os diretores de informação dos canais televisivos
e aceitaram a inclusão do Livre nos debates entre os partidos com
representação parlamentar. De acordo com o
mesmo jornal, as televisões vão ainda dar uma resposta definitiva sobre
estes frente-a-frente, a realizar no início de janeiro, que deverão
ascender a 36.