CNE aceita votos postais de portugueses no estrangeiro com cartões caducados
Legislativas
18 de jan. de 2022, 15:52
— Lusa/AO Online
Numa
deliberação sobre a matéria, a CNE respondeu que a exigência de cópia
de um documento de identificação, no caso o Cartão de Cidadão, pretende
garantir a "pessoalidade do voto por correspondência, cuja eficácia não
depende especialmente da validade daquele documento”."A
Comissão Nacional de Eleições entende que devem ser considerados
válidos os votos acompanhados de cópias de documento de identificação
caducados, desde que a validade tenha expirado num prazo razoável. Nas
atuais circunstâncias de pandemia, recomenda-se que se tenha por
razoável o prazo decorrido desde o seu início”, em março de 2020,
acrescenta.No entanto, a decisão final
será dos responsáveis pelas mesas das assembleias de recolha e contagem
dos votos e das assembleias de apuramento geral, que têm soberania sobre
o processo, adiantou a CNE. Os envelopes
com os boletins de voto postal têm estado a chegar às residências dos
eleitores portugueses residentes no estrangeiro com a indicação do
Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) de que deveriam ser enviados
com a maior brevidade possível. O voto por
via postal deve ser remetido pelo eleitor até 29 de janeiro e somente
serão considerados os boletins recebidos em Portugal até ao dia 09 de
fevereiro.No folheto incluído com as
instruções, é explicado que uma cópia do Cartão de Cidadão deve
acompanhar o boletim de voto selado no envelope de resposta com porte
pago enviado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.Porém,
milhares de emigrantes têm os seus documentos caducados devido à
disrupção causada pela pandemia covid-19 nos serviços consulares. Uma marcação para a renovação pode demorar cerca de seis meses nos consulados de Portugal no Reino Unido. A
questão do uso de Cartão de Cidadão caducado foi também levantada junto
do Governo pela associação cívica Também Somos Portugueses, que defende
agora que o esclarecimento deve ser publicado na página de Internet da
CNE e no Portal do Eleitor. "Vamos pedir
que publiquem que documentos podem ser aceites, para não haver dúvidas
nas mesas de apuramento dos votos”, disse o presidente, Paulo Costa, à
Lusa.Segundo este responsável, “o atraso
da renovação dos Cartões de Cidadão (CC) nos consulados, que já era
crónico e foi agravado pela pandemia, faz com que muitos milhares de
portugueses no estrangeiro tenham esse documento fora do prazo de
validade. Como no estrangeiro se vota pelo correio, e o boletim de voto
tem de ser acompanhado por uma cópia do CC, há uma preocupação de muitos
emigrantes se o seu voto será anulado devido ao CC estar caducado”.A
solução agora dada pela CNE foi bem recebida pelo conselheiro das
Comunidades Portuguesas no Reino Unido Sérgio Tavares, que sublinhou que
"essa informação já devia ter sido veiculada pelos vários consulados"."Para
além disso, as pessoas deviam poder deslocar-se ao respetivo consulado
para votar, com o Cartão do Cidadão caducado ou, por exemplo, se não
tiverem recebido a carta ou se, entretanto, não conseguiram atualizar a
morada” nos cadernos de recenseamento eleitoral, defendeu.O
procedimento para o voto por correspondência é diferente daquele para o
voto presencial e o voto antecipado de eleitores recenseados em
Portugal que se encontrem deslocados no Reino Unido. Nestes
dois casos, para além do Cartões de Cidadão e Bilhete de Identidade,
são aceites como documentos de identificação do eleitor a carta de
condução portuguesa ou o passaporte, mas estes não podem estar
caducados. Como alternativa, a identidade
do eleitor pode ser atestada sob compromisso de honra por outros dois
cidadãos eleitores, devidamente identificados, ou por reconhecimento
unânime dos membros da mesa. O voto
antecipado, aberto, por exemplo, a estudantes, decorre nos dias 18, 19 e
20 de janeiro, e o voto presencial nos dias 29 e 30 de janeiro, nos
consulados de Londres e Manchester, no caso do Reino Unidos, mas também
em outros países.O Presidente da República
convocou eleições legislativas antecipadas para 30 janeiro de 2022 na
sequência do “chumbo” do Orçamento do Estado para 2022, no parlamento,
em 27 de outubro.