CM Lisboa quer política de imigração com “rigor à entrada e humanismo à integração”
13 de set. de 2024, 10:10
— Lusa/AO Online
“Humanismo
é encarar a verdade de frente e trabalhar com determinação para
resolver uma situação que não cumpre os direitos humanos mais
elementares das pessoas e explora a sua vulnerabilidade. Isto não é de
esquerda, nem de direita: são pessoas”, afirmou a vereadora Sofia
Athayde (CDS-PP).A autarca falava no
âmbito do debate “Imigração em Lisboa: que futuro?”, promovido pela
Assembleia Municipal de Lisboa (AML), por proposta do PAN, e que
realizou hoje a primeira de três sessões sobre o tema.Nesta
primeira sessão, com o subtema a “gestão das migrações: respostas
institucionais”, participaram ainda responsáveis do Conselho Municipal
para a Interculturalidade e a Cidadania (CMIC), da Santa Casa da
Misericórdia de Lisboa (SCML), da Câmara Municipal do Fundão, da Agência
para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), do Observatório das
Migrações (OM) e da Organização Internacional para as Migrações (OIM).No
auditório da AML, com cerca de 50 pessoas, estiveram sobretudo
deputados municipais, algumas associações e cidadãos, verificando-se
que, após pergunta numa das intervenções, existiam apenas quatro
imigrantes na audiência.“Acredito no
princípio do rigor à entrada e humanismo à integração. É incontornável
que precisamos de imigrantes. A imigração é uma enorme oportunidade para
o crescimento e desenvolvimento do país nas perspetivas económica e
demográfica”, declarou a vereadora Sofia Athayde.Reforçando
que o acolhimento de imigrantes “é uma oportunidade verdadeiramente
imperdível” para o país e para a cidade de Lisboa, a autarca sublinhou
que as dificuldades na integração são “um problema que é de todos: do
Governo, do município, do poder local, das juntas de freguesia, das
instituições e da própria comunidade”.Sobre
as políticas municipais da Câmara de Lisboa nesta área, a vereadora
destacou o cumprimento dos princípios de garantia da entrada com
controlo adequado e realista dos fluxos migratórios, o reforço da
integração e estímulo à inclusão, o reforço da cooperação internacional e
a revisão e reforço dos processos de monitorização, avaliação e
comunicação.“Temos dado apoio a muitos
imigrantes, muitos mesmo, adultos e crianças, que escolheram a nossa
Lisboa para ser a sua casa”, expôs, apontando a resposta ao nível do
acolhimento, ensino da língua portuguesa e promoção do conhecimento
nesta área.“Temos feito caminho, mas não
chega. Temos muito trabalho pela frente”, reforçou Sofia Athayde,
sublinhando que a importância de “um debate transparente e aberto,
centrado exclusivamente nas necessidades das pessoas e da cidade”, e
frisando que “é urgente” que todos participem na construção de uma
solução.Neste âmbito, a vereadora avisou
que “a instrumentalização destas matérias para apregoar chavões
partidários não é necessária, porque não defende as pessoas, porque não
se importa com as pessoas reais e porque não dignifica a política e os
políticos”.“Precisamos de uma política de imigração responsável, com regras e com capacidade de execução em tempo útil”, indicou.Dando
o exemplo em termos de política de imigração, o presidente da Câmara
Municipal do Fundão, Paulo Fernandes (PSD), enalteceu o acolhimento de
imigrantes para fazer face ao envelhecimento populacional e à perda de
população ativa, avisando para a necessidade de os instrumentos de
planeamento e ordenamento serem revistos para responder a este
paradigma.O autarca do Fundão perspetivou
que, na próxima década, Lisboa precisa de mais “30 a 35 mil pessoas de
população ativa somente para fazer face à substituição das perdas de
população ativa por envelhecimento”, antecipando a pressão acrescida do
ponto de vista do tecido habitacional, “que pode ser de 20 a 25 mil
novas habitações”.Rita Prates,
vice-presidente da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), destacou
o alojamento temporário disponibilizado pela instituição para os
imigrantes em situação vulnerável, referindo a oferta tem sido
aumentada, existindo hoje “107 camas em hostels” e prevê-se que este ano
sejam criadas “mais 150”.