Clubes da II Liga criticam “desequilíbrio financeiro grave” após chumbo da distribuição
Hoje 11:41
— Lusa/AO Online
Na Assembleia Geral da Liga Portuguesa de Futebol
Profissional (LPFP), realizada no Porto, seis das 18 sociedades
desportivas da I Liga opuseram-se a essa distribuição, fazendo cair a
proposta, que precisava de uma maioria qualificada de, pelo menos, 75%
dos clubes do primeiro escalão para ser aprovada. “O
chumbo atual, ocorrido a meio da época, retira abruptamente uma verba
orçamentada, criando um desequilíbrio financeiro grave e inesperado nas
contas das nossas instituições”, pode ler-se no comunicado divulgado em
conjunto pelos emblemas.Os clubes da II
Liga manifestaram “total incompreensão”, face “à inversão de voto por
parte de clubes que, na época transata, votaram favoravelmente à
partilha deste mecanismo”, mostrando-se preocupados com a divisão de
“uma Liga que deveria lutar pela união”. “Num
momento em que o futebol português se prepara para discutir temas
estruturais — como a centralização dos direitos televisivos e a revisão
dos quadros competitivos —, esta votação serve apenas para dividir uma
Liga que deveria trabalhar pela união. Além disso, esta decisão ataca
diretamente o coração do nosso futebol, a formação. A não afetação
destas verbas coloca em risco direto as academias e escalões de formação
que, em muitos casos, são geridos pelos clubes e não pelas SADs,
dependendo criticamente destes fundos”, pode ler-se na nota. Ainda
assim, destacaram a “postura exemplar e solidária dos 12 clubes da I
Liga, que de uma forma altruísta votaram a favor”, nomeadamente o
Vitória de Guimarães e o Estrela da Amadora. “De
forma especial, os clubes da II Liga expressam ainda o seu público e
profundo agradecimento ao Vitória de Guimarães e ao Estrela da Amadora.
Estes clubes, num gesto de nobreza e responsabilidade para com o
ecossistema do futebol, já se disponibilizaram a ceder a sua parte das
verbas em prol dos clubes do escalão secundário”, concluem.O
sufrágio foi feito por voto secreto, sendo que, com esta decisão, os
clubes do segundo escalão deixam de receber, esta época, cerca de seis
milhões de euros (ME) que seriam ‘cedidos’ pelos clubes da I Liga que
não participam nas competições europeias, os quais têm direito a um bolo
global de 12 ME. Na última reunião magna
em que o tema tinha sido debatido e votado, a 16 de janeiro, dos 17
clubes da I Liga presentes ou representados, 12 votaram a favor, quatro
contra e houve uma abstenção.