Clubes açorianos "prejudicados" com teto máximo no subsídio de mobilidade
2 de nov. de 2024, 09:18
— Lusa
“Este
limite de 600 euros foi recentemente estabelecido pelo Governo da
República, numa revisão promovida pela coligação PSD/CDS-PP, afetando
diretamente o direito à mobilidade dos açorianos e colocando em risco a
continuidade territorial”, apontou o deputado do PS no parlamento
açoriano Russel Sousa. Segundo uma nota de
imprensa divulgada hoje, o grupo parlamentar socialista enviou um
requerimento a questionar o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) sobre
"quem suportará o excedente dos custos das viagens que ultrapassem os
600 euros e quais os procedimentos a seguir pelos clubes para reembolso
dos valores excedentes".Os socialistas
solicitaram ainda esclarecimentos sobre "o pagamento pendente aos clubes
da segunda tranche de contratos-programa".Citado
na mesma nota, o deputado Russel Sousa alerta que os clubes, atletas e
associações desportivas açorianas que competem no continente "enfrentam
custos acrescidos" nas deslocações aéreas, devido à insularidade e "às
frequentes alterações de última hora nas viagens, impostas pelos
horários de jogos nacionais”.Russel Sousa
apontou que a revisão no subsídio foi realizada "sem o envolvimento
adequado" da região", num "desrespeito pela autonomia regional" e "sem a
consulta aos agentes económicos e sociais locais".Nos
Açores, até ao final de setembro, o subsídio permitia aos residentes no
arquipélago deslocarem-se para o continente com uma tarifa aérea máxima
de 134 euros (ida e volta) independentemente do valor de venda. Era
apenas necessário adquirir inicialmente a passagem pelo preço de venda
e, depois de efetuada a viagem, todo o valor acima desta meta de 134
euros era ressarcido a título de reembolso pelo Estado. Com
a alteração recentemente introduzida, se o preço de venda da viagem for
superior a 600 euros, já será o passageiro a suportar o valor acima
desse teto, além dos 134 euros.Para os
estudantes açorianos deslocados, o teto é de 99 euros, ou seja, o
subsídio corresponde à diferença entre o custo do bilhete e o máximo de
99 euros por viagem de ida e volta.A 27 de
outubro o primeiro-ministro revelou, no discurso de encerramento do
26.º Congresso do PSD/Açores, em Ponta Delgada, que a tarifa aérea
máxima prevista no subsídio social de mobilidade para as ligações entre
os Açores e o continente vai baixar para 119 euros.“Onde
hoje um residente paga 134 euros para ir ao continente vai passar a
pagar 119 euros. Um estudante que paga 99 euros vai passar a pagar 89. E
entre as regiões autónomas, onde hoje se paga 119, vai pagar-se 79
euros”, disse Luís Montenegro.A 28 de
outubro, o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel
Albuquerque, disse que a região também vai ser abrangida pela redução de
10% da tarifa aérea máxima prevista no subsídio social de mobilidade
nas ligações com continente, tal como foi anunciado para os Açores pelo
primeiro-ministro.Segundo o executivo
madeirense, a tarifa aérea máxima prevista no subsídio social de
mobilidade para o arquipélago passará de 86 euros para 77 para
residentes e de 65 euros para 58,5 no caso dos estudantes. Na
Madeira, as passagens aéreas já tinham um custo elegível máximo de 400
euros para acesso ao subsídio social de mobilidade, valor que se mantém
inalterado.