Cirurgias com robot no Santo António, no Porto, reduzem infeções e complicações
6 de mar. de 2023, 12:13
— Lusa/AO Online
“O
robot não dispensa pessoas, não dispensa bons médicos, bons
anestesistas, bons enfermeiros, mas acrescenta muitas mais-valias”,
disse o diretor do serviço de urologia e responsável pelo programa de
cirurgia robótica do Centro Hospitalar Universitário de Santo António
(CHUdSA).Para hoje estavam agendadas duas
cirurgias assistidas por robot: duas remoções totais da próstata devido a
cancro em pacientes com 62 e 64 anos.Diretor
do serviço há 12 anos, Avelino Fraga, que falava à agência Lusa à
entrada para a primeira cirurgia robótica do dia, descreveu as
mais-valias para o profissional, resumindo-as numa palavra: “precisão”.Com
este robot, que ao contrário dos humanos consegue rodar o pulso em 360
graus, o tremor da mão do cirurgião diminui, enquanto aumenta o nível de
segurança e de concentração, uma vez que o profissional usa uns óculos e
de cada vez que desvia o olhar do campo cirúrgico os braços do robot
param.“Também ajuda porque alguns sítios
anatómicos são de difícil acesso. A cirurgia robótica facilita o
desempenho cirúrgico e o acesso a áreas anatómicas de difícil controlo”,
descreveu Avelino Fraga.Já as mais-valias para o doente passam pela redução do tempo de internamento, bem como de complicações.Em
termos práticos, e olhando para as duas cirurgias assistidas por robot
agendadas para hoje, “esta inovação permite maior desempenho cirúrgico
com menores complicações do foro sexual e relacionadas com a continência
urinária”.À Lusa, Avelino Fraga destacou
que “o retorno do doente, com mais qualidade de vida, à vida normal é
mais rápido”, uma vez que a expectativa é que o paciente passe no
hospital não mais de 24 a 48 horas após a cirurgia robótica, enquanto
com a laparoscópica normal “demora mais um dia ou dois”.O
uso desta máquina – que custa cerca de dois milhões de euros e chegou
em dezembro – tem sido acompanhado de formação realizada na Bélgica.Além
do serviço de urologia, beneficiarão desta máquina, de forma gradual e
nas próximas semanas, os serviços de cirurgia geral e de ginecologia.Paralelamente,
e associado ao programa de cirurgia assistida por robot, o CHUdSA
está a desenvolver uma solução digital para envolvimento dos utentes.A
‘Get Ready’ é uma aplicação que permitirá ao doente comunicar com a
equipa clínica fora do hospital, antes e depois da cirurgia, assim como
consultar conteúdos sobre o procedimento a que irá ser submetido.As equipas clínicas podem também acompanhar a condição clínica de cada doente durante todo o percurso e recolher dados.“Não
fazia sentido termos robots nos blocos operatórios e continuarmos
arcaicos no relacionamento com o doente”, disse o responsável pelo
programa de cirurgia robótica do Santo António.Além
desta ‘app’, Avelino Fraga destacou outra característica que distingue o
robot adquirido pelo CHUdSA face a outros, que se prende com os
consumíveis utilizados.“Se esta inovação
fizesse inflacionar os preços, o hospital não queria cirurgia robótica.
Comprometemo-nos que o procedimento cirúrgico não vai ficar mais caro do
que a cirurgia laparoscópica e vamos poupar em tempo de internamento e
em complicações”, concluiu.A cirurgia robótica existe há 20 anos e calcula-se que existam cerca de 6.000 robots cirúrgicos no mundo inteiro.Durante
muitos anos, em Portugal e no Serviço Nacional de Saúde (SNS), só o
Hospital Curry Cabral, em Lisboa, dispunha de um robot cirúrgico
oferecido por uma fundação.Recentemente
quer o Hospital de São João quer o de Santo António, ambos no Norte,
anunciaram a compra de robots cirúrgicos ao abrigo de um programa criado
pela atual tutela.