Cirurgias adiadas levaram a aumento de mais 45 dias no tempo de espera
Covid-19
6 de abr. de 2023, 07:39
— Lusa/AO Online
“As cirurgias adiadas entre
março de 2020 e julho de 2022 conduziram a um aumento médio no tempo de
espera para atendimento de 45 dias, tendo-se verificado que o impacto
foi superior nas cirurgias adiadas por motivo ‘contingência/covid-19’
(88 dias), avança o relatório da ERS sobre a recuperação da atividade
assistencial no SNS.De acordo com o
documento, com este aumento de 45 dias devido aos adiamentos por vários
motivos, a média de tempo de espera efetivo para cirurgia subiu dos 114
para os 159 dias nos hospitais públicos.O
regulador da saúde adianta ainda que foram analisados cerca de 236
mil registos de "inscrições para cirurgia que foram alvo de adiamento"
no período de março de 2020 a julho de 2022 e que a oftalmologia foi a
especialidade que registou mais adiamentos, seguindo-se a cirurgia geral
e a ortopedia.Já no primeiro semestre de
2022, “observaram-se aumentos muito significativos nas cirurgias
reagendadas, destacando-se o aumento observado na região de saúde do
Norte (61%)”, adianta o regulador da saúde.A
ERS indica ainda que em 2020, face a 2019, se registou um aumento de
23% e 30% no número de primeiras consultas e consultas subsequentes
canceladas, salientando que, embora em 2021 se tenha verificado uma
melhoria em alguns dos indicadores, “não foi ainda possível alcançar os
níveis pré-pandemia para todas as áreas de cuidados”.Em
2021 verificou-se uma retoma da atividade, com as primeiras consultas,
consultas subsequentes e cirurgias programadas a registarem aumentos de
17%, 9% e 26%, em relação ao ano anterior, indica o documento.“Em
termos de atividade realizada, no primeiro semestre de 2022 alcançou-se
o valor mais elevado de consultas médicas realizadas em todos os
semestres dos anos em análise, que foi transversal tanto às primeiras
consultas como às consultas subsequentes, tendo-se verificado o mesmo
para as cirurgias programadas e para as cirurgias de ambulatório,
tornando-se evidente o esforço de recuperação” no SNS, sublinha a ERS.No primeiro semestre deste ano foram realizadas 6.517.292 consultas médicas no SNS.A 16 de março de 2020, o Ministério da Saúde determinou a suspensão da
atividade programada não urgente nos hospitais do Serviço Nacional de
Saúde (SNS), em resposta ao aumento de pressão sobre o sistema de saúde
causado pela pandemia.