Cirurgia pode melhorar qualidade de vida de doentes com enxaqueca
28 de jun. de 2022, 08:28
— Lusa/AO Online
De acordo com dados enviados à agência Lusa pela FMUP, “uma em cada três pessoas com enxaquecas não melhora com fármacos”.“A
cirurgia pode ser uma alternativa para travar este distúrbio que afeta a
qualidade de vida das pessoas”, afirma o professor da FMUP, António
Costa Ferreira.O
também cirurgião plástico, e um dos autores do estudo hoje divulgado,
explica que, embora a maioria dos doentes responda positivamente aos
tratamentos, “até um terço dos casos desenvolve resistência à medicação,
não tolera os efeitos secundários ou tem contraindicações para a sua
utilização”. António
Costa Ferreira lamenta que o procedimento continue a encontrar
resistência no seio da comunidade médica e que os profissionais médicos,
bem como próprios doentes, “ainda não estejam totalmente conscientes da
existência desta possibilidade”. Por
esta razão, o médico publicou, em colaboração com as investigadoras
Sara Henriques, Alexandre Almeida e Helena Peres, um estudo na revista
Annals of Plastic Surgery, uma publicação médica dedicada à cirurgia
plástica e reconstrutiva.Dos
resultados da investigação, destaca-se a convicção de que o tratamento
cirúrgico da enxaqueca é um procedimento “seguro e eficaz” e pode
representar melhorias “significativas” na qualidade de vida dos doentes.A
investigação consistiu numa revisão sistemática de estudos e artigos
científicos publicados internacionalmente entre 1996 e 2020, sendo que
“os resultados demonstram a existência de provas científicas, publicadas
em revistas de grande impacto, a favor da segurança e eficácia do
tratamento cirúrgico da enxaqueca”, descreve a FMUP.Nos
mais de 50 trabalhos de investigação analisados, os autores relatam uma
melhoria significativa entre 58,3% a 100% dos casos e a eliminação
completa do distúrbio em 8,3% a 86,8% dos doentes. Dados sobre a satisfação dos pacientes e o impacto na qualidade de vida foram analisados em nove estudos.“Ficou demonstrado, de forma consistente, os benefícios da cirurgia”, é sublinhado.Os
investigadores destacaram, igualmente, a diminuição dos custos a longo
prazo, comparativamente ao tratamento farmacológico, e o facto de que
apenas foram relatadas pequenas e ocasionais complicações no
pós-operatório, na sua maioria temporárias, como alguns casos de
dormência, hematoma, alopecia, entre outros.A
enxaqueca (dor de cabeça intensa) é um distúrbio neurovascular
generalizado que afeta, aproximadamente, 19% das mulheres e 10% dos
homens.Uma
combinação de fármacos e evitar fatores que possam desencadear uma crise
constituem o tratamento padrão para combater as enxaquecas.