CIP apresenta nova proposta com alterações à lei laboral
Hoje 10:38
— Lusa/AO Online
Em
declarações à Lusa, o presidente da CIP adianta que a proposta foi
apresentada "na semana passada" e surge "no seguimento da proposta da
UGT", apresentada no início de fevereiro. Entre
as novas propostas apresentadas, consta também uma medida que pretende
responder às tempestades que assolaram o país e que visa que os
trabalhadores estrangeiros possam "ter um regime que pudesse ser
enquadrado num âmbito mais alargado do [contrato a] termo incerto"."Não
sabemos quanto tempo é que vai demorar a reconstrução, se são meses, se
são anos", afirma Armindo Monteiro, reiterando que o objetivo é que
dentro do atual regime de termo incerto, "os trabalhadores estrangeiros
pudessem ser contratados nesse regime". O presidente da CIP, no entanto,
não detalha os pormenores desta proposta.Entre
as mais de 100 alterações ao Código de Trabalho propostas pelo Governo,
que constam do anteprojeto apresentado em julho, consta uma alteração
que prevê um alargamento da duração máxima dos contratos a termo incerto
(em que não se define uma data precisa para o seu término), de quatro
para cinco anos.À Lusa, Armindo Monteiro
critica ainda as 'linhas vermelhas' que foram apontadas pela UGT --
nomeadamente em matéria da contratação a termo, banco de horas ou do
'outsourcing' --, referindo que "é mau quando numa negociação exigente
se decretam logo matérias que não podem ser discutidas", mas sublinha
que a nova proposta mantém a posição já defendida pela confederação
nessas matérias. "Precisamos de ter uma
discussão serena", sustenta o presidente da CIP, sublinhando, contudo,
que tem "notado uma maior objetividade por parte de todos os parceiros
na análise das propostas" e que o contexto atual já não tem os "ruídos
distrativos que para esta discussão não contribuíram", disse,
referindo-se ao período eleitoral e à greve geral de 11 de dezembro.O
presidente da CIP adianta ainda que até à reunião plenária de
Concertação Social, marcada para a próxima terça-feira, vão continuar a
existir reuniões técnicas e admite que "não é uma negociação fácil", mas
realça que o "êxito dessa negociação" terá influência em 5,3 milhões de
postos de trabalho.O anteprojeto de
reforma, chamado "Trabalho XXI", foi apresentado pelo Governo de Luís
Montenegro (PSD e CDS-PP) em 24 de julho de 2025 e a ministra do
Trabalho já sinalizou a intenção de submeter a proposta de lei no
parlamento, ainda que não se comprometa com uma data.As
alterações propostas pelo Governo em julho mereceram um 'não' das
centrais sindicais, que consideram as mudanças um ataque aos direitos
dos trabalhadores. A oposição levou a CGTP e a UGT a avançarem, em
conjunto, para uma greve geral, realizada em 11 de dezembro de 2025.As confederações empresariais aplaudiram a reforma, ainda que digam que há espaço para melhorias.Perante
as críticas da CGTP e da UGT, o executivo entregou à UGT uma nova
proposta com algumas cedências, mas reiterou que não está disponível
para retirar toda a iniciativa, nem para deixar cair as traves mestras
das alterações anunciadas.A UGT fez chegar
uma contraproposta ao Governo em 4 de fevereiro e sinalizou que tem
linhas vermelhas em matérias como a da contratação a termo ou o
'outsourcing', cujas medidas considera "inaceitáveis".