Cinco anos da morte do antigo Presidente Mário Soares assinalam-se na sexta-feira
6 de jan. de 2022, 12:08
— Lusa/AO Online
Nascido a 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares,
advogado, escritor e historiador, cuja vida se confunde com a própria
história contemporânea portuguesa, morreu no dia 07 de janeiro de 2017,
aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha.O primeiro Governo liderado pelo secretário-geral do PS, António Costa, decretou três dias de luto nacional."Perdemos
aquele que foi tantas vezes o rosto e a voz da nossa liberdade. Mário
Soares foi um homem que durante toda a sua vida se bateu pela liberdade.
Fê-lo contra a ditadura, sofrendo a prisão, a deportação e o exílio",
afirmou António Costa a partir de Nova Deli, onde então se encontrava em
visita de Estado à Índia.O presidente da
Assembleia da República, o socialista Ferro Rodrigues, considerou que
tinha morrido “o militante número um da democracia portuguesa”, enquanto
o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, recordou Mário Soares como
um "singular humanista e construtor de portugalidade”.Três
dias após a morte do fundador do PS, antigo primeiro-ministro
(1976/1978 e 183/1985) e Presidente da República (1986/1996), em 10 de
dezembro de 2017, milhares de pessoas, entre as quais 500 convidados,
marcaram presença no funeral de Estado, que começou nos claustros do
Mosteiro dos Jerónimos e terminou com um cortejo fúnebre até ao
Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.Nos
claustros do Mosteiro dos Jerónimos, realizou-se a sessão solene
evocativa de homenagem, que contou com diversas interpretações musicais e
em que se escutaram uma mensagem de vídeo do primeiro-ministro,
discursos emotivos dos filhos, João e Isabel Soares, e intervenções de
Ferro Rodrigues e de Marcelo Rebelo de Sousa.A
coragem de Mário Soares nos momentos difíceis da sua vida foi recordada
com emoção pelos filhos e ouviu-se também a voz de Maria de Jesus
Barroso, mulher do antigo chefe de Estado, que falecera um ano e meio
antes, em julho de 2015, a declamar "Os dois sonetos de amor da hora
triste", de Álvaro Feijó.Para o primeiro
funeral de Estado realizado em Portugal depois do 25 de Abril,
deslocaram-se a Lisboa diversas entidades estrangeiras que estiveram
também presentes da cerimónia de evocação, entre os quais o rei Felipe
VI de Espanha e os Presidentes do Brasil, Cabo Verde e Guiné-Bissau, o
presidente do Parlamento Europeu, o presidente da Assembleia Nacional
angolana e o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba.Após
a cerimónia, que durou pouco mais de uma hora, à saída do Mosteiro dos
Jerónimos, seis F-16 da Força Aérea sobrevoaram os céus da zona de Belém
sob aplausos de centenas de pessoas.Durante
o funeral, de acordo com a reportagem da agência Lusa, o silêncio foi
quase absoluto. Nem os passos dos militares que transportaram a urna se
ouviram no meio do silêncio na alameda de entrada do Cemitério dos
Prazeres.A urna ficou junto à capela,
decorada com uma foto gigante de Mário Soares e uma faixa preta com a
frase “Unir os portugueses, servir Portugal”.Pelos
altifalantes, ouviu-se a voz de Mário Alberto Nobre Lopes Soares, no
seu primeiro tempo de antena para as eleições presidenciais de 1986. Foi
uma espécie de legado, dito pelo próprio: “Nasci num país intolerante e
pobre, com fome nos campos e nas cidades”.Foi depois lembrada a ditadura e a luta contra “o fascismo”, o 25 de Abril e a libertação do país.E
uma das últimas frases, que Soares proferiu no dia em que venceu a
segunda volta das presidenciais, em 1986, em que reclamou para si a
“vitória da tolerância”, a “vitória da liberdade”: "A verdade não
pertence em exclusivo a ninguém e não há nada que substitua a
tolerância".