Cimeira de Madrid termina hoje depois de declarar Rússia maior ameaça
30 de jun. de 2022, 10:45
— Lusa/AO Online
Numa cimeira
dominada e condicionada pela ofensiva russa à Ucrânia, iniciada em 24 de
fevereiro, a agenda do segundo e último dia de trabalhos do encontro da
Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês)
termina com uma sessão na qual vários países, como é o caso da anfitriã
Espanha, esperam que os 30 chefes de Estado e de Governo olhem para o
designado "flanco sul".Estes
países têm insistido para a NATO não ignorar "ameaças e desafios"
oriundos do Médio Oriente ou do norte de África, em especial, da região
africana do Sahel, e que estão relacionados com movimentos de imigração
ilegal ou grupos terroristas.Estes
países insistem na abordagem e estratégia a 360 graus, mesmo
reconhecendo o protagonismo que ganhou o lado leste, por causa da
Rússia.Na
quarta-feira, os líderes da NATO aprovaram um novo Conceito Estratégico
para a organização, para a próxima década, e divulgaram a Declaração da
Cimeira de Madrid, documentos em que definem a Rússia como a maior e
mais direta ameaça à segurança dos países da aliança militar.Pela primeira vez, a estratégia da NATO a dez anos tem também uma referência à China.Ainda
na quarta-feira, a NATO reiterou o apoio à Ucrânia e desbloqueou um
novo pacote de ajuda integral a Kiev, assim como ajudas a países como a
Moldova, Geórgia e Bósnia-Herzegovina.No
primeiro dia da cimeira, a NATO confirmou o reforço das suas forças no
leste europeu e o aumento das tropas em prontidão (de reação rápida) de
40 mil para mais de 300 mil militares.Esta
cimeira fica também já marcada pelo início formal da adesão à NATO da
Finlândia e da Suécia, depois de a Turquia ter retirado o veto às duas
candidaturas, na segunda-feira, após uma reunião entre os líderes dos
três países.O
primeiro-ministro português, António Costa, lidera a comitiva nacional
na cimeira, que integra dois ministros (Defesa e Negócios Estrangeiros).Está prevista uma conferência de imprensa de António Costa no final dos trabalhos da cimeira, ao final da manhã.À
chegada à cimeira, na quarta-feira, António Costa considerou que o
encontro de Madrid começou "da melhor maneira", com o desbloqueio da
adesão da Suécia e Finlândia, e afirmou que o processo de ratificação em
Portugal será "bastante rápido".O
primeiro-ministro afirmou que Portugal acompanhará de “forma adequada
às circunstâncias” do país o anunciado reforço de tropas da NATO e não
se comprometeu com uma data para atingir a meta de 2% do Produto Interno
Bruto (PIB) reservados à Defesa, afirmando que o país só assume
"compromissos que pode cumprir".