Cigarros eletrónicos são “a nova face da epidemia no século XXI” entre os jovens
15 de dez. de 2023, 09:54
— Lusa/AO Online
O
Brasil é um dos 34 países do mundo que proíbe a venda de cigarros
eletrónicos e “é um dos 15 de sucesso em termos de regulação no mundo”,
disse o investigador, que falava à agência Lusa após o alerta da
Organização Mundial de Saúde (OMS), no relatório ‘Electronic Cigarettes
Call to Action’, para o “uso alarmante” de cigarros eletrónicos por
crianças e jovens.Segundo a OMS, os
adolescentes entre os 13 e os 15 anos utilizam cigarros eletrónicos em
taxas mais elevadas do que os adultos em todas as regiões da OMS. Paulo
Corrêa afirmou que “os dispositivos eletrónicos para fumar, como o
cigarro de tabaco aquecido, são a nova face da epidemia no século XXI
num momento em que as políticas de ambientes livres de fumo tinham
caminhado no mundo todo”.“Nós conseguimos
caminhar e rapidamente a indústria conseguiu reinventar-se através dos
cigarros eletrónicos utilizando os mesmos expedientes que utilizavam no
século XX, com atores de Hollywood, a fazer a apologia do uso [do
tabaco]”, mas agora utilizando influenciadores nas redes sociais, no
YouTube para poder fazer o recrutamento.“É
o mesmo padrão que a gente observava no século XX, ou seja, a
disseminação de mitos”, como os cigarros eletrónicos e de tabaco
aquecido serem apenas vapor de água, e “com alarmante preocupação, nós
notamos a atratividade desses produtos para os jovens”, disse Paulo
Corrêa.No seu entender, o alerta da OMS a
chamar a atenção dos países para a necessidade de políticas públicas de
proteção, especialmente da juventude, é necessário, mas surge
tardiamente, uma vez que há crianças de 7, 8 anos a fumar cigarros
eletrónicos.A percentagem de população
consumidora destes dispositivos, entre os 8 e os 19 anos, varia de 2% no
Camboja e os 52% na França, observou, salientando que os países têm
regulações muito diferentes.Segundo a OMS,
34 países proíbem a venda de cigarros eletrónicos, enquanto 88 países
não têm estabelecido uma idade mínima a partir da qual os cigarros
eletrónicos podem ser comprados e 74 países não têm regulamentação para
estes produtos nocivos.A OMS aponta a
necessidade de os países que proíbem a venda de cigarros eletrónicos
reforçarem a aplicação da proibição e pede aos que permitem a sua
comercialização que garantam regulamentações rigorosas para reduzir o
consumo, incluindo a proibição de todos os sabores, limitando a
concentração e a qualidade da nicotina e tributando-os.Falando
do caso do Brasil, Paulo Corrêa disse que, em 2019, a prevalência de
jovens, dos 15 a 24 anos, que fumava era de 2,4%, enquanto nos Estados
Unidos, que não proíbe o cigarro eletrónico, é na ordem dos 28%.A
agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem em consulta
pública, até 09 de fevereiro, um texto que propõe a manutenção da
proibição dos cigarros eletrónicos e a proibição da publicidade e
qualquer tipo de divulgação desses produtos. “Estamos
esperançosos que a política pública vai ser mantida, já que o Grupo
Técnico da agência fez um relatório muito bem feito no ano passado e
sugeriu inclusive restrições mais fortes, com fiscalização mais efetiva,
porque existe muito contrabando no Brasil”, adiantou.O
professor na Universidade Federal de Ouro Preto citou o estudo de um
pediatra americano publicado em 2018 que mostrou que o uso de cigarro
eletrónico no início da adolescência triplica ou quadruplica o uso de
haxixe.Estudos também demonstram que o seu consumo triplica ou quadruplica as hipóteses de vir a fumar o tabaco convencional.Esta
realidade causa uma “enorme preocupação”, sendo por isso importantes os
países caminharem para essa proibição, “que tem sido eficaz em proteger
a saúde pública dos brasileiros”.