Cientistas voltam a manifestar-se na quarta-feira em Lisboa contra a precariedade
18 de out. de 2024, 12:00
— Lusa/AO Online
Em declarações à Lusa, José
Moreira, presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior (Snesup),
que hoje publicou no seu portal a convocatória da manifestação, disse
que "é preciso saldar a dívida que o país tem" com os cientistas: "terem
uma vida decente, com uma carreira".Sem isso, segundo o sindicalista, não é possível ter "um sistema científico consolidado e mais competitivo".José
Moreira reconhece que "foram dados alguns passos", embora "muito
lentos", para acabar com a precariedade, como a substituição de bolsas
por contratos de trabalho, ainda que a termo, e o lançamento de um
programa que permite o ingresso na carreira de investigadores com
doutoramento concluído."O grande problema
são os números", assinalou o dirigente, apontando que o recente programa
FCT-Tenure (cofinanciado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia)
abriu este ano 1.100 vagas para a carreira científica ou docente
universitária, quando há 2.000 investigadores com "contratos de trabalho
a acabar".De acordo com o Snesup, que
representa docentes e investigadores que trabalham nas universidades e
nos institutos politécnicos, apenas 15% dos cientistas com contrato de
trabalho estão na carreira, enquanto os restantes têm vínculos laborais
precários."É preciso criar lugares de quadro", vincou, apontando que há cientistas com mais de 40 ou 50 anos sem uma vida estável.A
manifestação nacional contra a precariedade na ciência é promovida por
várias estruturas, incluindo Snesup, Federação Nacional dos Professores
(Fenprof), Sindicato dos Trabalhadores de Arqueologia, Organização dos
Trabalhadores Científicos, Associação dos Bolseiros de Investigação
Científica e Associação de Combate à Precariedade - Precários
Inflexíveis.O Snesup emitiu um pré-aviso
de greve para a próxima quarta-feira para "dar cobertura legal a quem
tenha de ausentar-se do local de trabalho para participar na
manifestação".Também a Fenprof, que
representa investigadores que são igualmente docentes, emitiu um
pré-aviso de greve semelhante, reclamando "um mecanismo permanente de
financiamento para a contratação para a carreira de investigação
científica" e "financiamento consistente para o emprego científico de
doutorados".A manifestação começa com uma
concentração em frente ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação,
segue em direção à sede da Fundação para a Ciência e Tecnologia e
termina junto à Assembleia da República, onde em 18 de julho do ano
passado houve um protesto contra a precariedade do trabalho científico
quando a então ministra da Ciência, Elvira Fortunato, participava numa
audição parlamentar sobre o assunto.Também
no ano passado, mas em 16 de maio, Dia Nacional dos Cientistas,
investigadores saíram à rua em Lisboa contra a precariedade e em 03 de
julho no Porto, quando decorria o encontro nacional de ciência.