Cientistas querem criar “rota dos fósseis” em todas as ilhas da Macaronésia
27 de jul. de 2024, 10:06
— Lusa
“Todas
essas ilhas têm património paleontológico, alguns deles de relevo
internacional”, disse à Lusa o biólogo e paleontólogo português Sérgio
Ávila, que liderou uma equipa que nas últimas três semanas realizou mais
uma expedição científica a Cabo Verde.Durante
21 dias, nove investigadores dos Estados Unidos, Espanha (Canárias),
Polónia, Reino Unido e Portugal desenvolveram trabalhos de campo nas
ilhas do Sal, Santiago, Boa Vista e Maio, numa coordenação da
CIBIO-Açores, Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos
Genéticos – Açores, com sede na Universidade dos Açores.No
caso de Cabo Verde, este tipo de trabalho está a ser realizado há cerca
de sete anos, e já foram detetados campos de megablocos, associados a
megatsunamis gerados pelo colapso lateral de edifícios vulcânicos.Sérgio
Ávila afirmou que já foram recolhidas “informações importantes” sobre a
geologia de praticamente todas as oito ilhas do país com registo
fossilífero, que serão publicadas em revistas da especialidade.A
investigação começou há mais de 20 anos na ilha de Santa Maria, nos
Açores, onde já foi realizada uma rota dos fósseis e criado o primeiro
PaleoParque a nível mundial.Além de Santa
Maria, o biólogo e paleontólogo revelou que há registos de fósseis em
duas ilhas na Madeira, em praticamente todas as ilhas da Canárias e em
oito das 10 ilhas de Cabo Verde.Por isso, a
ideia é apresentar as produções científicas aos governos desses
arquipélagos e criar “rotas dos fósseis” na Macaronésia.“Esta
experiência que nós temos de anos e anos de trabalho em Santa Maria,
neste momento estamos a alargá-la, não só ao arquipélago da Madeira, em
particular à ilha do Porto Santo, mas às ilhas do arquipélago das
Canárias, e agora, mais recentemente, a Cabo Verde”, afirmou.“Tencionamos
expandir a nossa experiência e produzir em todas estas ilhas rotas dos
fósseis” e apresentar projetos para conservação e preservação desse
património e sugerir a criação de museus, acrescentou.A
partir do momento em que as rotas estejam delineadas e os museus
estejam construídos, Sérgio Ávila disse que os cientistas vão apresentar
propostas a todos os governos para criarem paleoparques e, assim,
“transformar artigos científicos em dividendos económicos”.Os
cientistas vão criar ainda programas de televisão com todo o material
recolhido, e ainda este ano vão entregar gratuitamente quatro episódios à
RTP Açores, filmados na ilha de Santiago, e cujo objetivo é que passem
nos canais de todos os outros arquipélagos.A
expedição é financiada pelo Governo Regional dos Açores, através do
projeto “Base de Dados da PaleoBiodiversidade da Macaronésia”, que
pretende colocar online todo o património paleontológico de todas as
ilhas da Macaronésia.