Cientistas identificam gene que poderá ser a chave para contracetivo masculino
17 de abr. de 2023, 17:41
— Lusa
Numa experiência
com ratos, cujos resultados são hoje publicados na revista científica
Nature Communications, investigadores da Universidade de Washington
conseguiram desativar o gene 'Arrdc5' e gerar infertilidade nos machos.O gene é expresso no tecido testicular de ratos, porcos, bovinos e humanos.Segundo
o autor principal da investigação, Jon Oatley, os roedores machos
produziram espermatozoides "que não puderam fertilizar um óvulo" (célula
sexual feminina) quando o gene foi desativado.O
estudo concluiu que os ratos que tinham falta do gene produziram menos
28% de espermatozoides, que se moviam 2,8 vezes mais devagar do que os
dos ratos normais, e cerca de 98% desses espermatozoides apresentavam
cabeças e partes intermédias anormais.A
proteína codificada pelo gene 'Arrdc5' é necessária para a produção
normal de esperma, pelo que a equipa de cientistas de Washington está a
trabalhar num medicamento que iniba a função da proteína, o que
favoreceria a contraceção masculina sem interferir nas hormonas, como a
testosterona, que, além de produzir esperma e glóbulos vermelhos,
contribui para a formação de massa óssea e para a força muscular.Um
fármaco dirigido a esta proteína significaria também que o seu efeito
contracetivo seria reversível, isto é, uma vez suspensa a toma do
medicamento os espermatozoides voltariam a ser produzidos normalmente.Jon
Oatley e a primeira autora do estudo, Mariana Giassetti, entregaram uma
patente provisória para o desenvolvimento de um contracetivo masculino
baseado no gene 'Arrdc5' e na proteína que codifica, que poderá servir
de alternativa à castração nos animais e à vasectomia nos homens.