Cientistas e pescadores discutem mecanismo de compensação financeiro nos Açores
30 de jul. de 2025, 15:20
— Lusa/AO Online
“O
que estamos aqui a fazer é analisar quais são as frotas que sofrem mais
impacto, qual a sua distribuição e qual o nível de impacto que devemos
contabilizar”, explicou o secretário regional do Mar e das Pescas, Mário
Rui Pinho, durante a abertura de um ‘workshop’ sobre a avaliação do
impacto das áreas marinhas na frota de pesca regional, que está a
decorrer na ilha do Faial.O parlamento dos
Açores aprovou em outubro de 2024 um diploma proposto pelo Governo
Regional que aumenta para 30% as áreas marinhas protegidas na região,
impedindo a atividade da pesca em vários locais, como os ilhéus das
Formigas e os bancos D. João de Castro, Condor e Princesa Alice,
habitualmente utilizados pelos pescadores do arquipélago.O
Governo da República já tinha anunciado um apoio de cerca de 10 milhões
de euros, através do Fundo Ambiental, para compensar os pescadores
açorianos pela previsível perda de rendimentos, devido à criação destas
novas áreas protegidas, mas os vários intervenientes envolvidos neste
processo procuram agora encontrar o mecanismo de apoio adequado.“Colaborem,
ponham todas as dúvidas que tenham para pôr, coloquem todos os
problemas que tenham para colocar, tentem perceber como vai decorrer
este processo, mas também gostava de vos pedir que estivéssemos todos
focados não no problema, mas na solução”, apelou Mário Rui Pinho, para
quem esta discussão deve ser “o mais transparente e o mais
participativa possível”.Uma das soluções
em cima da mesa para compensar os pescadores açorianos poderá passar
pela adaptação à região de um mecanismo criado pela Universidade do
Algarve, destinado a compensar os pescadores daquela região, devido à
criação do parque marinho do Recife do Algarve.A
Associação de Produtores de Atum e Similares dos Açores (APASA) e os
representantes da indústria conserveira regional continuam a
reivindicar, no entanto, uma exceção para os barcos de pesca do atum das
zonas de reserva total, alegando que a arte de pesca de “salto e vara”,
em que cada pescador usa apenas uma cana e uma linha, já é
suficientemente seletiva e amiga do ambiente.O
grupo parlamentar do PS no parlamento açoriano apresentou, entretanto,
uma proposta para alterar o diploma sobre as áreas marinhas protegidas
nos Açores, exatamente no sentido de permitir essa exceção, mas o
Governo Regional de coligação (PSD, CDS-PP e PPM) entende que isso não
faz sentido e que representaria um “inaceitável retrocesso” na
preservação dos recursos marinhos dos Açores.