Cientistas designam nova espécie humana ancestral

28 de out. de 2021, 19:03 — Lusa/AO online

“Falar sobre a evolução humana durante este período era impossível devido à falta de uma terminologia adequada que reconhecesse a variação geográfica humana”, explicou a paleo-antropóloga Mirjana Roksandic, da Universidade de Winnipeg, Canadá, que liderou a equipa de investigação.De acordo com as conclusões do estudo, anunciado em comunicado pela universidade canadiana, o `Homo bodoensis´ viveu em África durante o período do Pleistoceno Médio, há cerca de meio milhão de anos, e pode ser considerado um antepassado direto dos humanos modernos.O Pleistoceno Médio é considerado como estando na base do surgimento do `Homo sapiens´ (a espécie humana atual) em África e do `Homo neanderthalensis´ na Europa.No entanto, o capítulo da evolução humana nesta época específica é ainda mal compreendido, um problema que os paleo-antropólogos chamam de “confusão do meio”, considerando que o anúncio do `Homo bodoensis´ pode agora ajudar a clarificar.A nova designação é baseada numa reavaliação dos fósseis desse período descobertos em África e na Eurásia.O nome "bodoensis" deriva de um crânio encontrado em Bodo D’ar, na Etiópia, e deverá ser aplicada aos humanos do Pleistoceno Médio de África e a alguns do sudeste da Europa, enquanto muitos do continente europeu serão reclassificados como Neandertais.“Nomear uma nova espécie é um grande avanço, já que a Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica permite mudanças de nome apenas perante regras muito estritamente definidas”, adiantou Mirjana Roksandic.Para Christopher Bae, investigador da Universidade do Havai e um dos autores do estudo, a introdução desta nova designação vai “cortar este nó górdio, permitindo uma comunicação clara sobre este importante período da evolução humana”.