Cientistas criam base de dados de proteínas esquecidas mas relevantes
8 de ago. de 2023, 18:21
— Lusa
O
trabalho é descrito num artigo publicado na revista científica de
acesso aberto PLOS Biology e foi desenvolvido por investigadores da
Universidade de Oxford e do Laboratório de Biologia Molecular de
Cambridge, ambos no Reino Unido.A base de
dados, de acesso público, é uma espécie de compêndio de milhares de
proteínas pouco estudadas e que são codificadas por genes no genoma
humano (que condensa toda a informação genética) cuja existência é
conhecida, mas cujas funções, em grande parte, são desconhecidas.O
trabalho pretende ajudar os cientistas a selecionarem proteínas mal
caracterizadas quer de humanos quer de organismos modelo para que possam
ser melhor estudadas.Os genes no genoma
humano codificam cerca de 20 mil proteínas, mas muitas continuam por
caracterizar devidamente por causa, inclusive, da falta de ferramentas.Segundo
os autores da base de dados, os riscos de ignorar milhares de proteínas
são significativos, uma vez que muitas podem desempenhar papéis
importantes em processos celulares críticos, fornecer informações e ser
alvos para tratamentos de doenças.A base
de dados classifica as proteínas a partir do quão pouco se sabe delas.
Para testar a sua utilidade, os cientistas escolheram 260 genes humanos
para os quais havia genes comparáveis em moscas.Em
ambas as espécies, os genes tinham pontuações mínimas ou nulas em
termos de conhecimento, indicando que nada ou quase nada era conhecido
sobre as proteínas que codificavam.Em
muitos casos, a desativação completa dos genes era incompatível com a
vida na mosca. Em contrapartida, a desativação parcial ou direcionada
levou à descoberta de que uma larga fração de genes contribuía para
funções essenciais que influenciam a fertilidade, o desenvolvimento, o
crescimento de tecidos, o controlo da qualidade das proteínas ou a
resistência ao 'stress' celular.