Cientistas avisam que mundo não está preparado para enfrentar desastres naturais
1 de mar. de 2023, 07:25
— Lusa/AO Online
No documento os cientistas alertam para a insuficiente
preparação, em todo o mundo, para enfrentar tais desastres, aos quais os
governos reagem muitas vezes apenas só quando acontecem, pedindo os
cientistas um repensar da gestão de riscos, e considerando que "é muito
improvável" que os objetivos sejam alcançados.
Em 2015, a comunidade internacional adotou objetivos do Quadro de
Sendai para prevenir novos e reduzir os riscos de desastres existentes,
até 2030, através da implementação de medidas económicas, estruturais,
legais, sociais, de saúde, culturais, educacionais, ambientais,
tecnológicas, políticas e institucionais.
Desde 1990, mais de 10.700 desastres, entre terramotos, erupções
vulcânicas, secas, inundações, temperaturas extremas, tempestades,
afetaram mais de 6 mil milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados
das Nações Unidas. No topo da lista estão as cheias e tempestades, multiplicadas pelas alterações climáticas, que representam 42% do total.
Estes desastres "minam o progresso do desenvolvimento que tem sido
difícil de alcançar em muitas regiões do mundo", sublinha o relatório.
Em comunicado, o presidente do ISC, o cientista biomédico Peter
Gluckman, destaca que, "como a comunidade internacional se mobiliza
rapidamente após desastres, como os terramotos na Turquia e na Síria,
muito pouca atenção e investimento são direcionados ao planeamento e
prevenção de longo prazo", seja no fortalecimento dos códigos de
construção ou no estabelecimento de sistemas de alerta.
“Os múltiplos desafios dos últimos três anos destacaram a necessidade
fundamental de uma melhor preparação para futuros desastres”,
acrescentou Mami Mizutori, representante especial das Nações Unidas para
a Redução de Riscos. “Precisamos
fortalecer a infraestrutura, as comunidades e os ecossistemas agora, em
vez de reconstruí-los mais tarde”, acrescentou.
O relatório chama a atenção para um problema de alocação de recursos,
mostrando que apenas 5,2% da ajuda aos países em desenvolvimento para
desastres, entre 2011 e 2022, foi dedicada à redução de riscos, com o
restante alocado para socorro e reconstrução pós-desastre.
O ISC apela ainda a sistemas de alerta precoce, salientando que o aviso
de uma tempestade com 24 horas de antecedência pode reduzir os danos em
30%. Um outro relatório, publicado no
final de janeiro pela Assembleia Geral das Nações Unidas, destacava
também que os países "não estavam no caminho certo" para atingir os
objetivos de Sendai. O número de pessoas
afetadas todos os anos por desastres climáticos está aumentando, assim
como os danos diretos, que atingem uma média de 330 mil milhões de
dólares (310 mil milhões de euros) por ano entre 2015 e 2021.