Cientistas antecipam onde pode ocorrer novo sismo na Turquia
21 de abr. de 2023, 17:20
— Lusa
Essa
é a principal conclusão de um estudo liderado pela Universidade do Sul
da Califórnia (USC) publicado hoje na revista especializada Seismica,
que prevê a possibilidade de um novo sismo poder ocorrer na Turquia.Socorrendo-se
de sensores remotos, o geofísico Sylvain Barbot e os seus colegas
investigadores da USC documentaram o grave terramoto de 06 de fevereiro
que matou mais de 50.000 pessoas no leste da Turquia e destruiu mais de
100.000 edifícios."Sabemos um pouco mais
sobre o que nos pode esperar. Não sabemos o momento, mas sabemos onde
pode acontecer", explicou Barbot, num comunicado.Os
grandes terramotos são originados pelo deslizamento das placas
tectónicas, quando pedaços da crosta terrestre, que se movem lentamente,
se pressionam mutuamente, gradualmente acumulando força ao longo de
décadas, séculos e eras.Quando as placas finalmente deslizam, a energia explode em ondas que se propagam pela crosta terrestre.O
sismo principal - de magnitude 7,8 - na Turquia, ocorreu em 06 de
fevereiro, seguido por um abalo secundário de magnitude 7,6 numa falha
separada mais a oeste. Um outro terramoto ocorreu duas semanas depois - de magnitude 6,4 - em 20 de fevereiro. Um gráfico de dados mostra a atividade sísmica e a quantidade de deslizamentos de placas ao longo das falhas.A
zona a sul do distrito de Puturge, na Turquia, mostra um aglomerado de
atividade sísmica ao longo da falha, mas sem deslizamentos. Isso significa que parte da falha está bloqueada ou travada, mas é provável que acabe por desabar a qualquer momento, no futuro."O
que vimos nas fotos dos prédios que desabaram é que alguns deles foram
literalmente pulverizados. (…) Até o próprio cimento se desintegrou.
Existe a possibilidade de que este terramoto tenha produzido mais abalos
do que o previsto nos códigos de construção. Não o saberemos sem uma
investigação mais aprofundada", concluiu a equipa de investigadores da
USC."Existe esta região, onde podemos
esperar um terramoto de magnitude 6,8. A população precisa de estar
preparada para isso. Mas também a comunidade científica, porque a
situação nos dá a oportunidade de montar uma experiência de
monitorização sobre como um terramoto começa e termina”, explicam os
investigadores.