Cidadãos pedem ao Governo dos Açores que adie aprovação de hotéis até revisão do POTRAA
27 de mai. de 2022, 16:30
— Lusa/AO Online
“Reiteramos
a urgência do estabelecimento de uma moratória na aprovação e
financiamento público de novos empreendimentos turísticos até à
aprovação de um novo POTRAA [Plano de Ordenamento Turístico da Região
Autónoma dos Açores], assente na sustentabilidade social, económica e
ambiental do destino e do setor”, avançaram os peticionários, em
comunicado de imprensa.O apelo surge
depois de o Governo Regional dos Açores ter anunciado que autorizou a
“renovação de uma licença” para a construção de um hotel de cinco
estrelas em São Vicente Ferreira, Ponta Delgada, com uma capacidade
prevista de 208 novas camas.Os
peticionários manifestaram “estranheza” pela decisão, alegando que “o
mesmo hotel obteve um parecer negativo por parte do departamento de
planeamento e urbanismo da Câmara Municipal de Ponta Delgada”.“Ao
autorizar a construção deste hotel, o governo dá sinais de pretender
continuar a prática decisão ‘ad hoc’ que se instalou nos últimos anos e
de estar pouco comprometido em promover elaboração de um novo programa
para o setor, baseado num modelo de desenvolvimento sustentável e num
amplo debate público, com a participação alargada da população e toda a
sociedade civil açoriana”, afirmaram.O
grupo de cidadãos tinha já entregado uma petição com 720 assinaturas na
Assembleia Legislativa da região a reivindicar um “turismo
verdadeiramente sustentável nos Açores”, manifestações a sua “profunda
preocupação” com a eventual aprovação da proposta de revisão do POTRAA.O
executivo açoriano decidiu, entanto, retirar a proposta, mas os
cidadãos consideram que se mantêm “a relevância e a urgência das
restantes propostas contidas na petição”, nomeadamente “a promoção de um
amplo debate público, com a participação alargada da população e toda a
sociedade civil açoriana”.Por isso,
solicitaram um “pedido de audiência aos grupos e representações
parlamentares” da Assembleia Legislativa dos Açores, para apresentarem
as suas preocupações e propostas.“Consideramos
que é urgente um esclarecimento cabal do impacto dos empreendimentos
aprovados ao longo dos últimos anos”, sublinharam.Os
signatários defenderam que “é urgente a divulgação dos dados oficiais
atualizados” e a realização de um “estudo sustentado que fundamente
estas decisões políticas”.“Tememos que
estamos a seguir um caminho de massificação do turismo (turistificação),
altamente penalizador das comunidades turísticas e de destino, por
reproduzir um modelo predatório, extrativista, desregulado de
crescimento e autofágico do ponto de vista do planeamento e ordenamento
do território”, alertaram.