Cidadãos consideram que debate não atingiu objetivo de atrair eleitores indecisos
Eleições EUA
30 de set. de 2020, 08:44
— Lusa/AO Online
O objetivo central dos debates televisivos é
que os eleitores indecisos nos Estados Unidos (EUA), que constituem
apenas cerca de 5% do eleitorado, mas que são o principal alvo das
campanhas, possam formar opiniões mais fortes e apoio a uma das
candidaturas.Para alguns cidadãos que
visualizaram o debate em casa, porém, isso não terá acontecido, devido
às frequentes interrupções entre os dois oponentes.“Isto
deixará os eleitores indecisos mais confusos ainda, porque ambos estão a
agir como crianças”, escreveu Patricia, numa das muitas reuniões
virtuais que se organizaram na noite passada, em substituição de eventos
presenciais em locais públicos para se ver o debate.A resposta foi rápida de um outro participante que escreveu: “Dois homens brancos, velhos e privilegiados… o que esperávamos?”.O
especialista em debates David Birdsell, reitor da Escola de assuntos
públicos e internacionais da universidade Baruch College, disse durante o
debate que “é inédito este nível de desrespeito das regras, por parte
de qualquer candidato em qualquer ciclo eleitoral anterior”.As
bases de apoiantes continuam a ser iguais e da mesma dimensão,
argumentaram os docentes da mesma universidade Douglas Muzzio e Eric
Gadner, que estimou que só Biden terá sido capaz de “marginalmente”
aumentar o seu apoio.O facto de Donald
Trump e Joe Biden se interromperem um ao outro foi desprezado por muitos
espetadores, alguns descrevendo o debate no final como “uma discussão
entre dois adolescentes”.De opinião um
pouco diferente foi Douglas Muzzio, que considerou ter ficado com uma
compreensão mais profunda do caráter de cada um dos candidatos e Allison
Hahn, que gostou de ver “o que acontece quando a pressão está em cima”
de cada um.Os eventos virtuais organizados
por diversas entidades na noite passada consistiram em declarações
iniciais dos apresentadores e a transmissão, em partilha de ecrã, do
debate, com a caixa de comentários a ficar preenchida.“Vergonhoso”
foi uma palavra repetida em muitas opiniões dos participantes, com
Riley, um dos participantes, a questionar “o quão absurdo deve parecer
tudo isto à liderança mundial que assiste ao redor do globo”.Para o professor e autor Don Waisanen “a linha entre a observação de sondagens credíveis e a intimidação dos eleitores é ténue”.Henry,
outro dos participantes, disse que “Biden foi coerente”, uma das
características que iam ser mais observadas durante o primeiro debate
presidencial, depois de Donald Trump acusar repetidamente que o
“sonolento” oponente ia precisar de medicamentos para estar atento.Douglas
Muzzio interveio mais uma vez no diálogo público considerando que “é
difícil ser coerente quando estás a ser sempre interrompido” e
refletindo que Trump foi “o mais rude e inculto”.A
estudante Deborah lamentou a falta de representatividade nos assuntos
discutidos e disse que “foi oferecido aos jovens desta noite um debate
pobre”.Os temas enfatizados no debate
foram o Supremo Tribunal de Justiça, questões relacionadas com o clima,
impostos, economia, prestação de cuidados de saúde, transparência do
voto por correio, entre outros.Donald
Trump e Joe Biden voltam a encontrar-se frente a frente em debates
televisivos a 15 e 22 de outubro, antes das eleições nos Estados Unidos
marcadas para 03 de novembro.