Chipre vai receber formação e equipamento para poder candidatar-se à NATO
NATO
28 de nov. de 2024, 10:46
— Lusa/AO Online
A
posição assumida por Nikos Christodoulides pôs fim a semanas de
especulação mediática sobre as intenções do seu Governo após um encontro
com o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, em Washington, no mês
passado.Este desenvolvimento contraria a
política de neutralidade de longa data assumida pelo Chipre, que remonta
à era da Guerra Fria, quando o país caminhava numa corda bamba política
entre Washington e Moscovo.Christodoulides
admitiu que o Chipre não pode aderir à NATO (Organização do Tratado do
Atlântico Norte) neste momento devido às objeções que a rival Turquia
levantaria, mas defendeu que não deve ser negada à Guarda Nacional
Cipriota a oportunidade de atualizar as suas capacidades defensivas com a
ajuda dos Estados Unidos.A Turquia, que
mantém mais de 35.000 soldados na parte norte do Chipre – zona
separatista turca -, não reconhece o Governo da ilha, sediado na parte
sul cipriota grega. O Presidente
Christodoulides não entrou em pormenores sobre a forma como as objeções
turcas pode ser contornadas, mas a ONU está atualmente a preparar-se
para a retoma das conversações de paz entre os lados rivais em Chipre.O
país foi dividido em 1974, quando a Turquia invadiu o Chipre na
sequência de um golpe de Estado por partidários da união da ilha com a
Grécia. “Não queremos que a Guarda
Nacional perca estas oportunidades, pelo que estamos em conversações com
os EUA – e agradecemos a sua resposta positiva – sobre como a República
do Chipre pode fazer o melhor uso destas oportunidades”, disse
Christodoulides, em declarações à agência de notícias Associated Press
(AP).“Quando tudo estiver no seu devido
lugar e o país se “elevar aos padrões da principal aliança militar do
mundo, a República do Chipre poderá tornar-se um Estado membro da NATO”,
acrescentou.“O reforço das capacidades de
dissuasão da República do Chipre é da maior importância e
aproveitaremos todas as oportunidades, tanto na direção dos Estados
Unidos e da NATO, como também da União Europeia”, referiu ainda o chefe
de Estado. Segundo Christodoulides, a
localização geográfica do Chipre – é o Estado-membro da União Europeia
mais próximo do Médio Oriente, a apenas 182 quilómetros da capital
libanesa, Beirute – impulsionou as melhorias planeadas para a sua
infraestrutura militar. Por isso, referiu,
o Governo está em negociações com os EUA para atualizar uma base aérea
importante, e com a UE para melhorar uma base naval.
Após o seu encontro com Biden, Christodoulides falou à AP sobre o
compromisso do seu governo em expandir a cooperação em matéria de defesa
e segurança com os EUA. A base aérea
Andreas Papandreou, na sua orla sudoeste do Chipre, está atualmente a
acolher um contingente da Marinha norte-americana e uma série de aviões
de transporte militar e de carga pré-posicionados para ajudar em
potenciais evacuações do vizinho Líbano e de outros locais.