China registou 68 mil novos casos de SIDA no primeiro semestre deste ano
14 de nov. de 2017, 09:18
— Lusa/AO Online
Trata-se de um
aumento de 8,5%, face ao mesmo período do ano passado, segundo números
do Centro Chinês para o Controlo de Doenças, citados pelo jornal oficial
China Daily. A
SIDA, outrora encarada na China como uma "doença de estrangeiros",
fruto de "um estilo de vida capitalista e decadente", fez a primeira
vítima no país em 1985.Até ao final de 2015, matou 177.000 pessoas na nação mais populosa do mundo, com cerca de 1.375 milhões de habitantes.As
relações sexuais continuam a ser a principal via de transmissão da
doença e têm assumido uma proporção crescente entre os novos casos de
infeção, segundo os dados citados pelo China Daily.Em
2010, cerca de 12% das infeções resultavam de relações homossexuais.
Entre janeiro e junho deste ano, a proporção fixou-se em 25,6%.Homens
mais velhos tornaram-se também um grupo mais vulnerável, com o número
de casos envolvendo homens com 60 anos ou mais a triplicar desde 2010,
para 16.505."Hoje,
mais idosos têm tempo livre para se divertirem (...) o que lhes dá mais
oportunidades para encontrarem parceiros", afirmou Gao Fu, diretor do
Centro Chinês para Controlo de Doenças, citado pelo jornal.O
primeiro surto de SIDA na China aconteceu em meados dos anos 1990, na
província de Henan. Centenas de milhares de camponeses pobres ficaram
infetados, devido a um esquema ilegal de comércio de sangue.O
sangue de diferentes origens era misturado e, depois de extraído o
plasma para ser vendido à indústria de biotecnologia, injetado de novo
nos camponeses, para evitar anemias.Até
então, a maioria dos poucos casos oficialmente conhecidos na China
dizia respeito a chineses que tinham trabalhado fora do país.