China oferece seguro de saúde para eventuais efeitos colaterais de vacina
Covid-19
7 de jun. de 2022, 14:40
— Lusa/AO Online
Dezenas
de cidades em toda a China estão a oferecer à população com 60 ou mais
anos um seguro de saúde gratuito, que cobre despesas até 500.000 yuan
(70.000 euros) se adoecerem – ou pior – devido a efeitos secundários das
vacinas contra o novo coronavírus, de acordo com a imprensa local.Estes
seguros também cobrem o pagamento à família, caso seja provado que a
morte de um familiar ocorreu devido à vacina. Só em Pequim, cerca de
60.000 idosos inscreveram-se para obter o seguro.À
semelhança de outros países, um grande número de pessoas na China tem
dúvidas sobre a segurança das vacinas, apesar da falta de evidências
sobre efeitos colaterais graves.Rumores
sobre a suposta relação entre vacinas e doenças graves, como leucemia e
diabetes tipo 1, propagaram-se nas redes sociais chinesas.Até
ao mês passado, menos de dois terços da população chinesa com 60 anos
ou mais tinha recebido uma dose de reforço, como é recomendado pela
Organização Mundial da Saúde.Estima-se
que cerca de 100 milhões de chineses não estejam vacinados ou não
tenham recebido a dose de reforço. Isto suscita receios de que possa
haver milhões de hospitalizações e mortes, caso o Governo chinês
prescinda da estratégia de ‘zero casos’ de covid-19.A
grande maioria da população chinesa foi inoculada com as vacinas
desenvolvidas pelas farmacêuticas chinesas Sinovac ou Sinopharm. Ambas
requerem três doses para manter um alto nível de eficácia, segundo um
estudo da Universidade de Hong Kong (HKU).A China não aprovou as inoculações usadas na Europa ou Estados Unidos, da Moderna ou BioNTech/Pfizer, de RNA mensageiro.A
vasta escala da população idosa suscetível de doença grave ou morte na
China levou as autoridades a aplicar medidas de bloqueio, para acabar
com surtos que se alastraram a várias cidades.Xangai, a 'capital' económica da China, sofreu um bloqueio de dois meses, que abrangeu todos os seus 26 milhões de moradores.Noutras partes do país, dezenas de milhões de pessoas enfrentaram medidas de confinamento, mais ou menos rígidas.As
medidas afetaram os negócios e o mercado de trabalho, suscitando
preocupações sobre os efeitos a longo prazo da estratégia de ‘zero
casos’ de covid-19 para a economia do país.A
China anunciou já que não vai acolher o principal campeonato de futebol
de clubes da Ásia, no próximo ano, como estava programado, apesar de
ter realizado com sucesso os Jogos Olímpicos de Inverno, dentro de uma
‘bolha sanitária’, em fevereiro.Na
segunda-feira, os organizadores do Festival Internacional de Cinema de
Xangai disseram que o evento vai ser adiado para o próximo ano.