China nega pressão sobre outros países para evitarem participar na cimeira de paz
3 de jun. de 2024, 10:38
— Lusa/AO Online
“Utilizar
a política da força não é o estilo da diplomacia chinesa (…). A posição
da China é aberta e transparente e, em nenhum caso, exercemos pressão
sobre outros países”, disse à imprensa Mao Ning, porta-voz do Ministério
dos Negócios Estrangeiros chinês.Falando à
margem de um fórum de segurança em Singapura no domingo, o Presidente
Zelensky acusou a China de trabalhar para impedir países de participarem
na Cimeira de Paz na Ucrânia, marcada para junho na Suíça.Dois
dias antes, Pequim tinha dito que seria difícil participar nesta
cimeira se a Rússia não fosse convidada, declaração aprovada por
Moscovo.“A China espera sinceramente que
esta conferência de paz não se torne uma plataforma para criar confronto
entre campos”, disse Mao Ning. “Deixar
de participar na conferência não significa que rejeitemos a paz (…). E
mesmo que alguns países decidam participar na conferência, isso não
significa necessariamente que estejam a esperar um cessar-fogo e o fim
dos combates. O mais importante é uma ação concreta”, declarou o
porta-voz chinês.A China afirma ser neutra
nesse conflito, mas nunca condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia em
24 de fevereiro de 2022 e recebeu várias vezes o Presidente russo,
Vladimir Putin, no seu território desde o início da guerra.Pequim
apela regularmente ao respeito pela integridade territorial de todos os
países, o que implicitamente diz respeito à Ucrânia, mas também apela à
consideração das preocupações de segurança da Rússia."A
China sublinhou repetidamente que a conferência de paz deve ser
reconhecida tanto pela Rússia como pela Ucrânia, que todas as partes
devem participar em pé de igualdade e que todos os planos de paz devem
ser "objeto de uma discussão justa", lembrou Mao Ning.“É
difícil para a China participar nessa reunião precisamente porque
acreditamos que estes três pontos podem não ser alcançados nesta
reunião.”Mais de uma centena de países e
organizações comprometeram-se a participar na cimeira, de acordo com
Zelensky, que instou os países da região Ásia-Pacífico a aderirem.