China lança campanha para combater conteúdo online que incita ao "conflito e à violência"

22 de set. de 2025, 17:42 — Lusa/AO Online

Segundo um comunicado oficial, a medida será aplicada em redes sociais, plataformas de vídeos curtos e transmissões em direto, com revisão de temas, listas de tendências, sistemas de recomendação, comentários e mensagens sobrepostas durante a reprodução de conteúdos.O plano dá prioridade à repressão de “incitação à confrontação” entre grupos, referindo casos em que temas da atualidade são usados para associar, de forma forçada, identidade, origem ou género a determinados comportamentos com o objetivo de estigmatizar. Também menciona ações coordenadas de fãs ou adeptos para “insultar, desqualificar ou apresentar denúncias em massa”.O organismo indica ainda que pretende eliminar conteúdos que “espalham pânico ou ansiedade”, como alertas falsos sobre desastres, emergências ou operações policiais, divulgação de alegada “informação privilegiada” e rumores sobre economia, finanças, políticas públicas ou questões sociais.A campanha visa igualmente “teorias da conspiração”, o uso de perfis fictícios de “mestres” ou “especialistas” para vender cursos ou produtos com promessas ligadas ao emprego, educação ou relações pessoais.O regulador ordena ainda a remoção de vídeos encenados com lutas físicas, imagens violentas, maus-tratos a animais ou automutilação, bem como conteúdos que “embelezem” a violência através de edição com recurso a inteligência artificial.A operação pretende também conter a “amplificação de discursos pessimistas”, incluindo a repetição de ideias como “estudar e trabalhar é inútil”.Nos últimos anos, as autoridades chinesas lançaram várias campanhas contra comportamentos considerados indesejáveis nas redes sociais, como a ostentação de riqueza, a divulgação de “informação falsa”, conteúdos “inapropriados” ou a promoção de “valores erróneos”, resultando no encerramento de milhares de contas.A China é o país com o maior número de utilizadores de Internet no mundo – mais de 1.100 milhões –, mas também um dos que impõem maior controlo sobre os conteúdos. Serviços populares a nível global, como Google, Facebook, X (antigo Twitter) ou YouTube, estão bloqueados no país há vários anos.