China investigou no ano passado 40 mil pessoas por corrupção, mais 22,4% do que em 2024
Hoje 11:41
— Lusa/AO Online
Estes
números constam do relatório anual de trabalho do Tribunal Supremo,
apresentado pelo presidente, Zhang Jun, perante a Assembleia
Popular Nacional (APN), o principal órgão legislativo do país, que
realiza nestes dias a sua sessão anual em Pequim.Entre
os casos tratados pelos tribunais encontram-se 57 altos funcionários,
entre eles Tang Renjian, antigo ministro chinês da Agricultura e
Assuntos Rurais (2020-2024), e Luo Baoming, ex-vice-presidente do Comité
de Assuntos dos Chineses no Estrangeiro da APN.Tang
foi condenado em setembro a pena de morte com suspensão por dois anos
por “aceitar subornos de enorme valor”, enquanto Luo foi condenado em
dezembro a 15 anos de prisão pelo mesmo crime.Também
é mencionado Bai Tianhui, antigo executivo do antigo “banco mau”
estatal Huarong, que a China executou em dezembro, depois de ter sido
condenado à morte em maio de 2024 por aceitar 156 milhões de dólares
(135 milhões de euros) em subornos.O
relatório menciona também outras práticas punidas, como as relacionadas
com benefícios prometidos para o futuro, participações acionistas
previamente acordadas e o fenómeno da “porta giratória” entre o Governo e
as empresas.No que diz respeito a subornos, foram resolvidos 2.724 casos envolvendo 3.235 pessoas, um aumento anual de 10,1%.Além
disso, foram coordenados esforços internacionais para perseguir
fugitivos, recuperar ativos e combater a corrupção transfronteiriça, o
que permitiu recuperar e confiscar 18,14 mil milhões de yuan (cerca de
2,2 mil milhões de euros) em ganhos ilícitos.Após
chegar ao poder em 2012, o Presidente chinês, Xi Jinping, iniciou uma
campanha anticorrupção que já resultou na condenação de dezenas de altos
responsáveis por aceitarem subornos milionários.A
campanha tem sido apresentada pelo Governo como um esforço para manter a
disciplina interna, embora alguns especialistas alertem que também
poderá servir para neutralizar rivais políticos.