China e EUA retomam negociações comerciais mas tensões persistem
30 de jul. de 2019, 08:19
— Lusa/AO Online
Trata-se do primeiro frente-a-frente entre o
representante do Comércio e o secretário do Tesouro dos EUA, Robert
Lighthizer e Steven Mnuchin, respetivamente, com o
vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, desde que os presidentes Donald
Trump e Xi Jinping acordaram um segundo período de tréguas, no mês
passado.Desde então, declarações dos dois
lados terão abalado as esperanças de um acordo para breve que ponha fim
às disputas que ameaçam a economia mundial.Na
semana passada, Trump alertou que pode não haver acordo antes das
próximas eleições presidenciais dos EUA, marcadas para novembro de 2020.No
fim de semana, o líder norte-americano atacou o estatuto da China como
país em desenvolvimento na Organização Mundial do Comércio, afirmando
que Pequim "aldraba o sistema às custas dos EUA".O
ministério chinês dos Negócios Estrangeiros disse, entretanto, que as
críticas de Trump "expuseram ainda mais a sua arrogância desonesta e
egoísmo".Citado pela imprensa
norte-americana, Jake Parker, responsável em Pequim pelo Conselho
Empresarial EUA-China considerou que as expectativas de um avanço nas
negociações são "modestas"."Esperamos que os dois lados adotem uma abordagem pragmática e realista", afirmou.Em
Washington passou a haver um consenso para uma política mais
confrontacional em relação a Pequim, que é agora oficialmente
classificado como "rival estratégico"."Este
é um jogo que testa quem é o mais forte e quem pode durar mais tempo -
eu espero que sejamos nós", disse na segunda-feira Chuck Schumer,
senador democrata do estado de Nova Iorque.Schumer
acrescentou que Trump não deveria "desistir de restringir a Huawei em
troca de nada menos do que compromissos concretos sobre acesso ao
mercado, usurpação de propriedade intelectual e transferência forçada de
tecnologia".O primeiro período de tréguas
colapsou após Trump ter subido as taxas alfandegárias sobre o
equivalente a 200 mil milhões de dólares (178 mil milhões de euros) de
bens importados da China, acusando Pequim de recuar em compromissos
feitos anteriormente.A escolha de Xangai, a
"capital" económica da China, para nova ronda de negociações sinaliza a
disposição do lado chinês para chegar a um acordo.Há
12 anos, o ministro do Comércio da China, Bo Xilai, reuniu-se em Xangai
com Peter Mandelson, então comissário do Comércio da União Europeia,
para selar um acordo que restringia temporariamente o "aumento" das
exportações chinesas de têxteis para a UE.As
empresas chinesas retomaram já a compra de soja, algodão, carne de
porco e sorgo dos EUA. As compras diminuíram depois de as negociações
terem colapsado, em maio passado.Washington
relaxou também as restrições sobre o grupo chinês das telecomunicações
Huawei, colocado numa lista de entidades do Departamento de Comércio
após as negociações falharem em maio, o que implica que as empresas
norte-americanas tenham de solicitar licença para vender tecnologia à
empresa.No cerne das disputas está a
política de Pequim para o setor tecnológico, que visa transformar as
firmas estatais do país em importantes atores globais em setores de alto
valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável,
robótica e carros elétricos.Os EUA
consideraram que aquele plano, impulsionado pelo Estado chinês, viola os
compromissos da China em abrir o seu mercado, nomeadamente ao forçar
empresas estrangeiras a transferirem tecnologia e ao atribuir subsídios
às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.