China diz ao MNE ucraniano que quer retoma das negociações entre Kiev e Moscovo
Ucrânia
24 de jul. de 2024, 11:08
— Lusa/AO Online
Wang reuniu no sul da China com o homólogo ucraniano, Dmitry Kuleba, que na
terça-feira se tornou o mais alto responsável ucraniano a visitar o país
asiático, desde o início da guerra, em 2022."A
China considera que a resolução de todos os diferendos deve ser levada à
mesa das negociações, mais cedo ou mais tarde. A resolução de qualquer
litígio deve ser sempre alcançada através de meios políticos", disse
Wang, de acordo com o comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios
Estrangeiros chinês.O chefe da diplomacia
chinesa afirmou que "tanto a Ucrânia como a Rússia mostraram sinais de
vontade de negociar a vários níveis", embora tenha reconhecido que "as
condições e o momento não são ainda os mais adequados".Segundo
um comunicado de Kiev, Kuleba destacou o papel da China como "força
global para a paz" e disse que uma "paz justa na Ucrânia vai ao encontro
dos interesses estratégicos da China"."A
Ucrânia quer seguir o caminho da paz, da recuperação e do
desenvolvimento”, disse o ministro ucraniano a Wang Yi, durante o
encontro na cidade de Cantão. “Estou convencido de que estas são
prioridades estratégicas que partilhamos".A
guerra não afeta apenas a Ucrânia, mas também "mina a estabilidade
internacional e o desenvolvimento de boas relações entre vizinhos,
incluindo o comércio entre China e Europa", acrescentou.Kuleba instou Wang a encarar as relações entre Pequim e Kiev sob o prisma da possível adesão da Ucrânia à União Europeia (UE)."Cada
uma das nossas novas conversas é mais informativa do que a anterior.
Esta é uma dinâmica muito positiva", disse o ministro ucraniano,
recordando que os dois se reuniram em fevereiro passado à margem da
Conferência de Segurança de Munique.Na
reunião, os temas discutidos foram "as relações bilaterais, a
agenda internacional e, acima de tudo, o caminho para a paz", disse
Kuleba.Segundo o comunicado da diplomacia
chinesa, Wang Yi descreveu a Ucrânia como "país amigo", reconheceu que a
continuação da guerra acarreta "riscos de escalada e contágio" a outros
possíveis conflitos e reiterou que a posição de Pequim tem sido
"sempre" a de "promover uma solução política".A
China "apoiará todos os esforços que conduzam à paz e está disposta a
continuar a desempenhar um papel construtivo para (conseguir) um
cessar-fogo e o reinício das negociações de paz", afirmou.Wang
disse que o seu país "vai continuar a aumentar as importações de
cereais" da Ucrânia e manifestou preocupação em relação a áreas
específicas como a prevenção de riscos nucleares e a estabilidade das
cadeias de abastecimento.Nos últimos
meses, Kiev tem cultivado as relações com a China, na esperança de que
Pequim utilize a sua influência sobre Moscovo para conter a agressão
russa.No mês passado, a China recusou participar na conferência de paz na Suíça por não incluir a Rússia.Mas
a administração ucraniana tem rejeitado os apelos chineses no sentido
de se trabalhar para uma solução negociada para o conflito, uma vez que
as posições de Pequim não incluem a integridade territorial da Ucrânia
como condição para a procura de um acordo de paz.No
entanto, nas últimas semanas, Kiev mudou o seu discurso, abrindo-se à
possibilidade de iniciar negociações com a Rússia antes do final do ano,
que conduziriam a um acordo para pôr termo à guerra em condições
aceitáveis para a Ucrânia.Pequim, que
considera a parceria com a Rússia fundamental para contrapor a ordem
democrática liberal, liderada pelos Estados Unidos, nunca condenou a
invasão russa e acusa a NATO de negligenciar as preocupações de
segurança de Moscovo.Mas o país asiático
também apelou, no ano passado, numa proposta de paz, ao respeito pela
integridade territorial de todos os Estados - incluindo a Ucrânia.