China avisa que ninguém ganha em guerra comercial face às ameaças de Trump
26 de nov. de 2024, 18:16
— Lusa/AO Online
“A
cooperação económica e comercial entre a China e os EUA é mutuamente
benéfica por natureza. Ninguém vai ganhar uma guerra comercial ou
tarifária”, disse Liu Pengyu, porta-voz da delegação chinesa em
Washington, na sua conta oficial da rede social X.Trump
anunciou na plataforma Truth que vai impor taxas adicionais de 10%
sobre todos os produtos provenientes da China, até que o país asiático
impeça a entrada de fentanil, um opioide sintético que causa mais de 150
mortes por consumo excessivo de droga todos os dias nos EUA.“Tive
muitas conversas com a China sobre as enormes quantidades de droga, em
particular o fentanil, que estão a ser enviadas para os Estados Unidos,
mas sem sucesso”, escreveu o vencedor das recentes eleições
presidenciais.“Representantes da China
disseram-me que iriam impor a sua pena máxima, a pena de morte, para os
traficantes de droga apanhados [a enviar fentanil para os EUA] mas,
infelizmente, nunca deram seguimento ao assunto, e as drogas estão a
entrar no nosso país, principalmente através do México, a níveis nunca
antes vistos”, disse Trump.Em resposta,
Liu afirmou que “a ideia de que a China está deliberadamente a permitir
que os precursores [químicos] do fentanil entrem nos Estados Unidos é
completamente contrária aos factos e à realidade”.O
porta-voz da diplomacia chinesa sublinhou que as agências chinesas e
norte-americanas de combate ao narcotráfico “retomaram as comunicações
regulares” desde o encontro entre os presidentes dos dois países, Xi
Jinping e Joe Biden, em São Francisco, em novembro do ano passado.“A
China notificou os EUA sobre os progressos realizados nas operações de
aplicação da lei antidroga relacionadas com os EUA. A China respondeu
aos pedidos dos EUA para verificar as pistas em alguns casos e tomou
medidas”, acrescentou Liu.Enquanto
candidato às eleições, o magnata nova-iorquino sublinhou a intenção de
salvar os empregos nos EUA, impondo taxas até 20% sobre todos os bens
importados e 60% sobre os provenientes da China, o país contra o qual
lançou uma guerra comercial em 2018, durante o seu primeiro mandato
presidencial.