Chega questiona Governo sobre atraso na nova cadeia de Ponta Delgada
Hoje 14:51
— AO Online/Lusa
O partido adianta que o requerimento surge na
sequência das "preocupações recentemente manifestadas" pelo Sindicato
Nacional do Corpo da Guarda Prisional, que denunciou a sobrelotação do
estabelecimento, as deficientes condições estruturais e a falta de
efetivos na atual cadeia de Ponta Delgada, fatores que "colocam em causa
a segurança dos guardas prisionais, o normal funcionamento do
estabelecimento e as condições de dignidade dos reclusos"."As
debilidades do atual Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada e os
avanços e recuos da nova infraestrutura, que não tem fim à vista,
motivaram um requerimento do grupo parlamentar do Chega na Assembleia da
República, dirigido à Ministra da Justiça, para perceber todo o
processo", explica ainda o partido, em nota de imprensa.Neste
sentido, o Chega pretende saber que medidas o Governo da República
prevê adotar para responder aos "graves problemas" que afetam o atual
estabelecimento prisional de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, e
quais os motivos que continuam a atrasar a construção da nova
infraestrutura.No requerimento, são
pedidos esclarecimentos sobre a capacidade do atual estabelecimento, o
número de reclusos e de guardas prisionais em funções e as medidas
previstas para reforçar os recursos humanos e melhorar as condições de
segurança.O Chega quer igualmente saber
qual o ponto de situação do processo de construção da nova
infraestrutura e quais os motivos que justificam "os sucessivos atrasos
registados desde 2017".Os parlamentares
pretendem também saber se existe financiamento assegurado para a obra e
qual o calendário previsto para o lançamento da empreitada, o início dos
trabalhos e a entrada em funcionamento do novo estabelecimento
prisional.Citada na nota, a deputada Ana
Martins, eleita pelo Açores à Assembleia da República, considera
"inaceitável que, quase uma década depois de anunciada a construção de
um novo Estabelecimento Prisional para São Miguel, o Governo continue
sem apresentar uma solução".Para a
deputada, a atual situação da cadeia de Ponta Delgada "compromete a
segurança dos profissionais, a dignidade dos reclusos e o normal
funcionamento da justiça na Região Autónoma dos Açores".O
Chega defende que o Estado "não pode continuar a adiar um investimento
reconhecido como essencial" e exige ao Governo "respostas concretas e um
compromisso efetivo" com a construção da nova cadeia de Ponta Delgada.Em
02 de julho, o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda
Prisional, Frederico Morais, alertou para a possibilidade de se estar
perante um “crime económico” com o terreno onde vai ser construída a
nova cadeia de Ponta Delgada.Frederico
Morais visitou o local para onde está previsto o novo estabelecimento
prisional, na Mata das Feiticeiras, no concelho da Lagoa, tendo alertado
que o terreno “está com mais monte” de bagacina (fragmento ou agregado
de rocha vulcânica de baixa densidade, abundante nos Açores, utilizado
na construção civil), sendo “lamentável que continue instável”.Já
a 31 de março, o presidente do Governo Regional dos Açores defendeu a
necessidade de se "avançar com urgência” para a construção do novo
estabelecimento prisional na ilha de São Miguel, a par da requalificação
do edifício existente.José Manuel
Bolieiro, que participou na reunião do Conselho Superior de Segurança
Interna, onde foi apresentado o Relatório Anual de Segurança Interna
(RASI) de 2025, tem reiterado “preocupação com o estado de degradação e a
sobrelotação” da cadeia, exigindo a construção de um novo
estabelecimento em São Miguel e alertando para os atuais riscos de
segurança, falta de condições para reclusos e guardas e impacto na
reputação do Estado.O contrato para
elaboração do projeto completo para a nova cadeia, incluindo o projeto
de arquitetura e todas as especialidades de engenharia, foi adjudicado
no dia 07 de julho de 2025, pelo Ministério da Justiça.Trata-se de um investimento de 910 mil euros, que tem um prazo de execução de 450 dias.