Chega propõe cancelamento do Dia dos Açores e do debate do Orçamento regional
17 de mai. de 2024, 17:54
— Lusa/AO Online
O líder do
Chega/Açores, José Pacheco, disse em conferência de imprensa que o
partido foi surpreendido com a notícia de que os doentes deslocados na
ilha do Faial devido ao incêndio no Hospital do Divino Espírito Santos
(HDES), em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, estão a ser retirados
dos hotéis para “se poder alojar os políticos que vão estar no Dia dos
Açores, assim como também [os que participam] na discussão do Orçamento”
no parlamento açoriano.“Isto é grave demais e ridículo demais para ser verdade”, afirmou o dirigente e líder parlamentar do Chega açoriano.Na
opinião de José Pacheco, “a solução é muito simples”: “Não temos
alojamento, cancelamos o Dia dos Açores [agendado para segunda-feira, na
Horta), cancelamos o Orçamento [que vai ser discutido no parlamento
regional, que também funciona na cidade da Horta, entre terça-feira e
sexta-feira]. Adiamos, fazemos noutro dia”.“Os
Açores sobreviveram até agora sem Orçamento, podem sobreviver mais uma
semana, quinze dias, um mês. (…) Não morre ninguém por não haver
Orçamento. E não morre ninguém se não se fizer o Dia dos Açores na
Assembleia, na segunda-feira”, defendeu.O
líder do Chega/Açores considera que, com esta decisão, o Governo
Regional (PSD/CDS-PP/PPM) “falhou redondamente” e de uma forma
“incompetente e negligente”. “Não se tratam pessoas doentes desta forma. O Chega não se revê nisto, o Chega acha que isto é uma vergonha”, considerou.Explicou ainda que dada a situação, o partido que lidera “já cancelou o seu hotel” na Horta.“Somos
sete pessoas que vamos para a ilha do Pico, por opção própria, pago por
nós, para que não estejamos a ocupar sete quartos de hotel que podem
muito bem ser atribuídos a estes doentes. Eu desafio os outros partidos e
o Governo Regional a terem a mesma atitude que nós tivemos”, declarou.Para
o Chega açoriano, houve “uma negligência muito grande” do executivo de
coligação em relação ao assunto: “E isto é inaceitável. Não se tratam as
pessoas assim”. Os utentes da ilha de São
Miguel que se encontram no Faial a fazer hemodiálise, devido ao
incêndio no HDES, vão ser realojados por falta de disponibilidade dos
hotéis onde foram inicialmente acolhidos, explicou hoje a secretária
regional da Saúde.“Quando os hotéis foram
contactados para receber estes utentes não houve qualquer tipo de
hesitação. Contudo, atendendo às festividades da próxima semana, não há
disponibilidade dos hotéis, que já tinham compromissos assumidos e,
claro, que a nossa preocupação foi continuar a acautelar uma resposta
social de alojamento, alimentação e pagamento de diárias a estes
utentes, de forma digna”, afirmou, em declarações à Lusa, Mónica Seidi.Em causa estão 31 utentes, que foram transferidos para a ilha do Faial para continuar os tratamentos de hemodiálise.Parte
dos doentes ficará alojada no centro de estágios do Serviço de Desporto
do Faial e os restantes “serão distribuídos por uma residencial, uma
hospedaria e apartamentos que são designados por apartamentos
militares”.