Chega pede novo adiamento para entrega de listas a órgãos externos ao parlamento
Hoje 11:33
— Lusa/AO Online
Este pedido de adiamento
consta de uma mensagem enviada pelo presidente da Assembleia da
República aos grupos parlamentares e deputados únicos, à qual a Lusa
teve acesso, com José Pedro Aguiar-Branco a solicitar aos partidos para
que se pronunciem.O presidente da
Assembleia da República pede ainda que os grupos parlamentares deem a
sua anuência para que “a calendarização de todo o processo, incluindo a
apresentação de candidaturas, audições nas Comissões e datas para
eleições, seja apreciada na próxima reunião da Conferência de Líderes”,
marcada para quarta-feira.Na agenda desta
reunião da conferência de líderes parlamentares estava prevista a
marcação da data das eleições, cujo prazo para entrega de candidaturas
terminava esta segunda-feira, até às 21h00.José
Pedro Aguiar-Branco solicita que os partidos comuniquem a sua posição
até às 18:00 de segunda-feira, “considerando-se a ausência de resposta
como concordância com o proposto”.Desde o
início da presente legislatura, o parlamento já marcou por várias vezes
estas eleições – que incluem a escolha do Provedor de Justiça, três
juízes do Tribunal Constitucional e cinco membros do Conselho de Estado -
mas foram sucessivamente adiadas por ausência de um acordo global entre
as três maiores forças políticas: PSD, Chega e PS.Em
causa está também a escolha de membros do Conselho Superior do
Ministério Público, do Conselho Económico e Social, Conselho Superior da
Magistratura, Conselho de Opinião da RTP, Conselho de Fiscalização do
Sistema Integrado de Informação Criminal, Conselho de Segurança Interna e
Conselho de Defesa Nacional.De acordo com
o Regimento da Assembleia da República, a apresentação de candidaturas
deve ser efetuada perante o presidente da Assembleia da República até
sete dias antes da data da eleição. Por
sua vez, o artigo 14.º da Lei do Tribunal Constitucional determina que
as candidaturas devem ser entregues até cinco dias antes da reunião
marcada para a eleição.Algumas das
eleições em causa pressupõem a realização prévia de audições em comissão
– caso dos candidatos a juízes do Tribunal Constitucional, Provedor de
Justiça ou dos membros dos conselhos superiores de Magistratura ou do
Ministério Público -, o que implica uma preparação e organização dos
trabalhos parlamentares, sobretudo no que respeita à Comissão de
Assuntos Constitucionais.Nestas
negociações, em virtude da atual configuração parlamentar, o PSD é o
partido central, já que nenhuma maioria de dois terços pode ser formada
no parlamento sem a participação dos sociais-democratas. E as eleições
do Provedor de Justiça e dos três juízes do Tribunal Constitucional
requerem precisamente maiorias de dois terços.Ao
contrário do Tribunal Constitucional e Provedor de Justiça, a eleição
dos cinco membros do Conselho de Estado – o órgão de aconselhamento do
Presidente da República – faz-se por método de Hondt.Na
atual legislatura, o PSD tem 89 deputados, o Chega 60, o PS 58, a IL
nove, o Livre seis, o PCP três, o CDS-PP dois, e BE, PAN e JPP um cada.À
partida, se os respetivos deputados participarem todos na eleição para o
Conselho de Estado, o PSD tem assegurados dois dos cinco mandatos, e o
Chega e o PS um cada. A atribuição do quinto mandato é mais incerta e
depende do número de listas concorrentes e de eventuais alianças ou
apoios de outros partidos, podendo variar por uma questão de um ou dois
votos.