Chega insiste na demissão do MAI e diz que há “degradação da autoridade do Estado”
Hoje 17:22
— Lusa/AO Online
“O
que tem acontecido com o ministro da Administração Interna é
particularmente preocupante. A incapacidade gritante de lidar com esta
situação tem levado a uma degradação permanente, persistente, constante
da autoridade do Estado. Há uma suspeita generalizada na população
portuguesa de uma corrupção segura nas suas pontas pelos principais
partidos ou pelos partidos que dominaram o sistema durante 50 anos”,
afirmou André Ventura.Em declarações aos
jornalistas na sede do Chega, em Lisboa, Ventura voltou a afirmar que
“Luís Neves não tem condições de continuar como ministro da República”. “Enquanto
continuarmos a ignorar isto vamos ver o Estado a degradar-se dia após
dia, as instituições a degradarem-se dia após dia, e o elo de
comunicações entre o Governo e a oposição impossível de concretizar e
impossível de levar a cabo. Esta é apenas uma luta pela decência, pela
transparência, e é uma luta das instituições e dos partidos que não têm
medo, que sabem que em determinados momentos é preciso exigir
respostas”, salientou.O líder do Chega
pediu coragem ao primeiro-ministro, defendendo que tem de ter “a
capacidade de perceber, a determinados momentos, que é preciso tomar
decisões, mesmo que essas decisões tenham custos ou aparentem ter custos
sobre o sistema político”.“Não tirar Luís
Neves pode parecer, à partida, para o primeiro-ministro e para o
Presidente da República, uma segurança. Podem esperar que aconteça outra
coisa qualquer que desvie atenções ou simplesmente que a coisa passe. É
um erro pensar que a perda de credibilidade definitiva e a perda de
autoridade definitiva se vão repor, não vão, só vão degradar mais o
Estado”, sustentou.Questionado se o
ministro deve sair mesmo num período mais crítico de risco de incêndios,
Ventura admitiu que esta é “uma época complexa do ponto de vista da
Administração Interna”, mas defendeu que o assunto “já devia estar
resolvido”.O líder do Chega voltou a pedir
“alguma intervenção” da parte do Presidente da República, nomeadamente
“exigir responsabilidades e chamar a atenção do Governo para o
descrédito que está a acontecer, para a degradação das instituições que
está a acontecer”.André Ventura instou
António José Seguro a fazer “uma intervenção pública” em que diga que a
“situação deve ser resolvida rapidamente e está insustentável” ou, se o
ministro continuar no Governo, que falou com o primeiro-ministro e a
“decisão é aceitável por isto, por isto, por isto e por isto”.“Não
podemos passar de ter um Presidente que a toda hora dizia tudo, para um
que a nenhuma hora diz nada. Porque senão estamos sempre mal servidos”,
considerou.André Ventura alegou também
que “ninguém compreende o que é que está a segurar o ministro da
Administração Interna, apesar de todas as suspeitas que recaem sobre
ele”.Sobre as notícias que dão conta de
que a Procuradoria Europeia avançou com uma averiguação preventiva aos
contratos celebrados entre a Polícia Judiciária e a empresa de
construção civil de Barcelos enquanto Luís Neves era diretor nacional,
André Ventura considerou “um descrédito das autoridades em Portugal” e
acusou o atual ministro de ter mentido sobre “a forma como tinha feito
essas adjudicações”.