Chega diz que o setor agrícola nos Açores caminha para o “desastre”
Hoje 16:16
— Lusa/AO Online
“Se nada for feito, e o Governo
[Regional] continuar a apresentar como única medida estruturante o fim
dos rateios à custa do orçamento regional, a agricultura dos Açores
caminha a passos largos para um desastre anunciado”, advertiu o
parlamentar, num debate de urgência promovido pelo partido, durante o
plenário da Assembleia Regional, reunido na Horta.A
bancada do Chega no parlamento açoriano, composta por cinco deputados,
entende que o executivo de coligação (PSD, CDS-PP e PPM) tem de “mudar
de rumo” e definir uma “estratégia clara” para a agricultura, baseada na
valorização, na inovação, na sustentabilidade e na eficiência.“Essa
mudança exige coragem política para enfrentar os problemas. Exige
verdade. Exige ação”, reforçou Francisco Lima, que lamentou também que a
agricultura tenha deixado de ser uma prioridade para o Governo
Regional, liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro.O
partido diz que os investimentos nas explorações agrícolas estão
estagnados, enquanto os preços de alguns produtos agrícolas, como o
leite, estão em queda acentuada e o transporte de gado vivo continua a
falhar, além de se manterem “crónicos atrasos nos pagamentos dos apoios”
aos produtores.O secretário regional da
Agricultura e da Alimentação, António Ventura, garante, contudo, que
nunca se investiu tanto no setor agrícola dos Açores, dando como exemplo
os níveis de execução do Plano e Orçamento de 2025.“O
Orçamento de 2025 para a Agricultura teve a maior execução de sempre,
desde que há autonomia. Foram 60,1 milhões de euros. E se a este
montante inigualável adicionarmos os 16 milhões transferidos da
República para os complementos financeiros do POSEI [programa europeu
para as regiões ultraperiféricas], perfaz-se um total de 76 milhões de
euros”, insistiu.António Ventura lembrou
ainda que o rendimento dos produtores da terra tem vindo gradualmente a
aumentar no arquipélago e garantiu que “estão em dia” os pagamentos
regionais aos agricultores açorianos, totalizando seis milhões de euros
até ao final de março.Patrícia Miranda,
deputada do PS, declarou, por seu turno, que nem tudo está bem no setor
agrícola açoriano e deu como exemplo o aumento dos custos de produção,
que está a dificultar a vida aos agricultores e a colocar em causa a
rentabilidade das explorações.“A ração
mantém-se acima dos valores de 2021, os fertilizantes subiram entre 30% e
40%, o gasóleo agrícola aumentou mais de 100%, os encargos financeiros
agravaram-se com a subida das taxas de juro, os salários aumentaram e
encontrar mão de obra é cada vez mais difícil”, sublinhou a parlamentar
socialista.Luís Silveira, deputado do
CDS-PP, considerou, porém, que a agricultura nas ilhas está “muito
melhor” do que nos tempos do Partido Socialista, que governou a região
entre 1996 e 2020: "Os agricultores estavam tecnicamente falidos, não
conseguiam ir à banca buscar mais dinheiro, não recebiam o seu leite há
mais de seis meses, e são os mesmos que agora me dizem que estão com
medo de isto acabar, porque nunca se esteve tão bem como se está hoje.”João
Mendonça, do PPM, admitiu que o setor atravessa alguns problemas e
desafios, mas considerou que tem havido a devida resposta política, por
parte do governo de coligação, como o comprovam os “elevados níveis de
execução de vários programas”.Pedro
Ferreira, da IL, entende que é preciso investir mais na qualidade dos
produtos agrícolas, e menos na quantidade, promovendo mais “inovação,
diversificação e valor acrescentado”, desenvolvendo “novos produtos e
testando novas práticas”.Também António
Lima, deputado do BE, acusou o executivo de direita de ter “falta de
estratégia e de coerência na política agrícola”, sugerindo um maior
investimento na produção biológica.Já
Paulo Silveira, da bancada do PSD, elogiou as ferramentas criadas pelo
executivo açoriano que, no seu entender, permitiram tornar o setor
agrícola mais atrativo, dando como exemplo o fim dos rateios nos apoio
aos produtores e o aumento das exportações de bens alimentares e da área
dedicada à floricultura, que cresceu 40% nos últimos cinco anos.