Chega diz que "fica por esclarecer" responsabilidade do Governo
TAP
7 de mar. de 2023, 09:35
— Lusa/AO Online
Em
declarações aos jornalistas, no parlamento, após a conferência de
imprensa do Governo sobre o relatório da Inspeção-Geral das Finanças
(IGF), André Ventura defendeu que ficou por esclarecer "a
responsabilidade direta do administrador financeiro, que é nomeado pelo
ministro das Finanças" e a "responsabilidade do próprio executivo" neste
caso. “[O Governo] aqui fica como que
protegido, como se a única responsabilidade disto tivesse sido de
Alexandra Reis ou do ‘chairman’, ou da própria TAP", sustentou. Para
o dirigente do Chega, o Governo teve responsabilidades. "E é agora
preciso perceber se João Leão [antigo ministro das Finanças] e outros, e
o próprio Fernando Medina, não tiveram aqui responsabilidades e isso, o
relatório para já não nos diz muito”, defendeu, insistindo na
necessidade de “perceber qual a real responsabilidade do governo
socialista nesta matéria”, sustentou.Na
ótica de Ventura, a exoneração do presidente do Conselho de
Administração e a presidente executiva da TAP foi a “demonstração cabal”
de que o Chega “tinha razão”. “Era
evidente e nós dissemo-lo desde o dia um, que a CEO da TAP não tinha
condições para continuar e que isto estava a prejudicar gravemente o
interesse nacional”, vincou.Quanto à
conclusão da Inspeção-Geral das Finanças de que o acordo celebrado para a
saída de Alexandra Reis da TAP é nulo, e o pedido da devolução da
indemnização que lhe foi atribuída, o presidente do Chega disse que “não
era preciso um grande esforço jurídico” para chegar a esta conclusão,
salientando que o parecer é “juridicamente irrepreensível”.“Não
era muito difícil concluir isto tendo em conta o estatuto que há do
gestor público e o facto de Alexandra Reis ter saído de uma empresa
pública para ir trabalhar para outra empresa pública e ter sido
secretária de Estado, tudo num intervalo temporal muito curto”, disse.Questionado
sobre a escolha de Luís Silva Rodrigues, que atualmente lidera a Sata,
para assumir os cargos de presidente do Conselho de Administração e da
Comissão Executiva da TAP, Ventura reconheceu-lhe "capacidade técnica"
mas questionou "se havia necessidade de afetar o funcionamento de outra
empresa, também ela de capitais públicos, que é a Sata, para resolver o
problema da TAP" ou se "esta é uma solução provisória".Na
opinião de Ventura, na fase atual da companhia aérea, "não convinha ter
lideranças provisórias, convinha uma liderança firme e estável"."Ora
tudo leva a crer, pela forma como foi apresentado, e porque vai
continuar com funções na Sata também, que o novo gestor da TAP vai ser
apenas provisoriamente, até à escolha de um gestor a tempo inteiro e
definitivo. E eu acho que isso é mau", considerou.