Chega diz que Açores nunca foram pequenos e são terra de horizontes infinitos
Hoje 17:16
— Lusa
José Pacheco afirmou na sessão solene do Dia dos Açores, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, que ser açoriano “não é apenas nascer entre ilhas”, é “trazer no peito uma memória antiga feita de coragem, silêncio, sacrifício e fé”.Segundo o também líder do Chega/Açores, ser açoriano “é aprender desde cedo que o mar tanto separa como une. Que partir dói. Mas regressar emociona”.Para Pacheco, os Açores “são terra de horizontes infinitos e de almas teimosas. Terra de homens e mulheres de mãos gastas pelo trabalho, rostos marcados pelo sal, pela lava e pelos dias difíceis. Gente que enfrentou tempestades sem perder a esperança”.“[Terra de gente] que viu a terra tremer debaixo dos pés, o mar revoltar-se e a vida endurecer, e, mesmo assim, avançou. Porque há qualquer coisa de eterno no coração açoriano”, acrescentou.Na sua intervenção, também referiu que a pátria dos açorianos “não cabe apenas nos mapas”, mas “vive nas romarias que serpenteiam pelos caminhos, no toque distante dos sinos pelas freguesias, no bodo repartido, na mesa posta, na porta aberta. Na fé simples de um povo que aprendeu a dividir o pouco para que nunca faltasse nada a ninguém”.“E hoje, neste Dia dos Açores, não celebramos apenas terra. Celebramos a alma. Celebramos os pescadores que enfrenta a madrugada guiados apenas pelas estrelas e pela coragem. O agricultor que conversa com a terra como quem conversa com Deus”, disse José Pacheco.E prosseguiu: “O emigrante que leva os Açores dentro do peito, mesmo quando o oceano o separa da sua origem. O jovem que insiste em ficar e acreditar apesar de tudo. E os mais velhos, esses guardiões da memória, onde vivem histórias que nenhum livro conseguiu escrever.”No discurso, o líder parlamentar do Chega vincou que os Açores “nunca foram pequenos”, pois “pequeno é quem olha para estas ilhas e não consegue ver a grandeza do seu povo”.“Aprendemos cedo que tudo muda. Mudam os ventos. Mudam as marés. Mudam os tempos. E até mudam os governos. Mas há coisas que permaneçam como faróis no meio da tempestade. Permanece a nossa fé. Permanece a nossa identidade. Permanece esta força silenciosa que impede este povo de se render”, sublinhou.Na sua opinião, talvez o “maior milagre" açoriano seja “continuar a acreditar quando tudo parece difícil. Continuar a lutar mesmo diante da incerteza. Continuar a erguer futuro no meio do oceano”.“Porque os Açores não são apenas o lugar onde vivemos. Os Açores são aquilo que nós somos. E enquanto houver um açoriano que carregue no coração o amor pela sua terra, haverá sempre esperança a nascer sobre estas ilhas”, concluiu.As comemorações que hoje decorrem em Ponta Delgada são uma organização conjunta da Assembleia Legislativa e do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), na sequência da instituição do Dia da Região Autónoma dos Açores, em 1980, para comemorar a açorianidade e a autonomia.A data, feriado regional, é celebrada na Segunda-feira do Espírito Santo.Na sessão solene vão ser impostas 25 insígnias honoríficas açorianas que distinguem cidadãos e pessoas coletivas que se tenham destacado “por méritos pessoais ou institucionais, atos, feitos cívicos ou por serviços prestados à região”.Serão atribuídas seis insígnias autonómicas de reconhecimento, duas de mérito profissional, três de mérito industrial, comercial e agrícola, e catorze de mérito cívico.