Chega defende que é tempo de abrir “uma nova fase na autonomia” regional
Hoje 12:02
— Lusa/AO Online
Francisco Gomes e Ana
Martins, eleitos do Chega pelos Açores e Madeira, respetivamente,
discursavam hoje na sessão plenária comemorativa dos 50 anos da
autonomia das Regiões Autónomas.“É contra
que abrimos uma nova fase na autonomia. Contra quem quer nivelar por
baixo, contra quem quer incompetência, contra quem cala a mudança,
contra quem ousa querer os madeirenses conformados, vedados,
dependentes, submissos”, afirmou Francisco Gomes.O
deputado do Chega defendeu que a “autonomia não é de nenhum governo,
não é de nenhum partido, a autonomia não tem tutelas”, é do povo
madeirense.O dirigente criticou o Governo
Regional da Madeira, afirmando que a autonomia “não se faz com um
governo que voltou as costas ao povo e que sobrevive do controlo que faz
da comunicação social e das empresas que salivam o orçamento regional,
um governo que criou uma terra onde 20% vivem na pobreza, mas onde vivem
seis dos políticos mais ricos de Portugal”, que “dá 190 milhões de
euros em borlas fiscais” ou “só no Funchal pôs quase 100 [pessoas] a
dormir nas ruas”.Francisco Gomes
considerou ainda que o executivo liderado por Miguel Albuquerque
“transpira a arrogância, amiguismo, soberba e a miséria de uma autonomia
traída”.Sem nomear diretamente partidos
ou pessoas, Francisco Gomes criticou igualmente aqueles que “enchem a
boca com a autonomia no Funchal, mas traem a autonomia em Lisboa” e
aqueles que “dizem que são a voz das ilhas no Funchal, mas deitam-se com
o comunismo em Lisboa”.O deputado prometeu ainda “fazer melhor, escolher melhor, decidir melhor” em nome dos “madeirenses anónimos”.Francisco
Gomes deixou ainda uma palavra de solidariedade ao povo venezuelano e
aos lusodescendentes, “a maioria dos quais oriundos da região autónoma
da Madeira”, pelo “momento tão, tão difícil” que atravessam depois do
sismos que atingiram o país. Ana Martins,
eleita do Chega pelos Açores, começou por afirmar que a autonomia foi
“um dos mais importantes avanços democráticos” da História e “uma
conquista” para os açorianos.No entanto, a
parlamentar defendeu que “celebrar a autonomia não significa fechar os
olhos aos problemas que persistem” e considerou que “os açorianos
viveram entre dois mundos, o mundo do centralismo de Lisboa e o mundo do
centralismo burocrático de Bruxelas”.“Assistimos
a sucessivos conflitos em torno da lei das finanças regionais,
assistimos a limitações da capacidade fiscal da região, assistimos a um
cargo de representação da República meramente protocolar e burocrático,
assistimos a decisões sobre transportes, mobilidade, pesca, agricultura e
investimento público tomadas sem a devida consideração pelas
singularidades e ultraperiféricas dos Açores”, criticou.A
deputada do Chega responsabilizou também os sucessivos governos
regionais dos Açores, criticando o “conformismo, a dependência de uma
economia de Estado e a incapacidade de resolver problemas estruturais
que continuem a afetar os açorianos”.Ana
Martins disse que atualmente “persistem as fragilidades nos transportes e
na conectividade, os constrangimentos no desenvolvimento económico, os
desafios demográficos que ameaçam algumas ilhas, as desigualdades entre
ilhas que não podem ser ignoradas e persistem sinais preocupantes de
dependência económica e administrativa que não correspondem ao espírito
original da autonomia”.“Celebrar os 50
anos da autonomia é honrar o passado, mas é, sobretudo, assumir um
compromisso com o futuro, um futuro em que a autonomia deixe de ser
apenas um princípio constitucional e se transforme numa verdadeira
capacidade de decidir, de desenvolver e de prosperar. Esse é o desafio
dos próximos anos e esse é o desafio que não podemos continuar a adiar”,
defendeu.