Chega conquista câmara na Madeira e coligação PSD/CDS-PP renova maioria no Funchal

Autárquicas

13 de out. de 2025, 10:53 — Lusa/AO Online

De acordo com os dados provisórios divulgados pelo Ministério da Administração Interna, o Chega venceu em São Vicente, no norte da ilha da Madeira, com 49,23%, contra 38,93% da coligação PSD/CDS-PP, que liderava o município, sinalizando a entrada do partido de extrema-direita na governação autárquica na região autónoma.José Carlos Gonçalves é o novo presidente da autarquia, sendo o executivo agora composto por três eleitos do Chega e dois da coligação PSD/CDS-PP.O Chega venceu nas três freguesias do concelho e tem maioria absoluta na Assembleia Municipal, com oito deputados, órgão que conta também com seis representantes do PSD/CDS-PP e um do PS.No Funchal, o município mais populoso dos 11 da região autónoma, com 108.129 habitantes, a coligação PSD/CDS-PP renovou a maioria absoluta (41,34%), vencendo também nas dez freguesias, e colocou o social-democrata Jorge Carvalho na liderança do executivo.O ex-secretário da Educação, Ciência e Tecnologia, cargo que desempenhou entre 2015 e 2025 em executivos liderados por Miguel Albuquerque, lidera agora uma equipa camarária em que tem seis eleitos do PSD.O JPP ficou em segundo lugar (19,05%), com dois vereadores, o Chega em terceiro (14,76%), também com dois, e o PS, que liderava a oposição com cinco eleitos, ficou em quarto lugar, (12,80%) apenas com um representante.O mau resultado eleitoral do PS, que também perdeu a Câmara da Ponta do Sol, uma das três que detinha no arquipélago, para a coligação PSD/CDS-PP, motivou a demissão do líder regional, Paulo Cafôfo.A liderança dos 11 municípios da Madeira fica agora distribuída por cinco forças partidárias, com o PSD à cabeça, tendo vencido em dois concelhos com listas individuais (Calheta e Câmara de Lobos) e noutros quatro em coligação com o CDS-PP (Funchal, Ponta do Sol, Ribeira Brava e Porto Santo).O CDS-PP venceu sozinho em Santana, o PS manteve Machico e Porto Moniz, o JPP segurou Santa Cruz e o Chega entrou pela primeira vez da liderança autárquica ao conquistar São Vicente.Duas mulheres foram eleitas presidentes de câmara nestas eleições: Doroteia Leça (PSD), na Calheta, e Élia Ascensão (JPP), em Santa Cruz.Na Ponta do Sol, o PS perdeu a governação que detinha há oito anos, tendo a coligação PSD/CDS-PP derrotado a socialista Célia Pessegueiro, numa lista encabeçada pelo social-democrata Rui Marques, que foi presidente daquele município na zona oeste entre 2005-2017.Neste concelho, um dos três que era detido pelos socialistas desde 2013, a coligação PSD/CDS-PP elegeu três vereadores, com 53,63% dos votos, e o PS assegurou dois eleitos, com 39,41%.Já no concelho do Porto Moniz, na costa norte da Madeira, os socialistas mantiveram a liderança da autarquia, sendo que a presidência passa agora para Olavo Câmara, filho do atual chefe do executivo camarário, Emanuel Câmara, que atingiu o limite de mandatos e vai ocupar o lugar de deputado na Assembleia da República.O PS obteve 55,96% e garantiu três elementos na vereação, ao passo que a coligação PSD/CDS-PP, com 38,25 %, elegeu dois vereadores.Em Machico, na zona leste da ilha, o PS, com uma lista liderada por Hugo Marques, também manteve a liderança da autarquia, que detém desde 2013, vencendo com 43,43% (quatro vereadores), seguindo da coligação PSD/CDS-PP com 35,07% (três vereadores).Na Calheta, na zona oeste da ilha, o PSD concorreu com lista individual, encabeçada por Doroteia Leça, e voltou a ganhar, com 65,12%, assegurando seis elementos no executivo, ao passo que o JPP ficou em segundo lugar, posição antes ocupada pelo PS, com 13,91% e um vereador.Os sociais-democratas venceram também em Câmara de Lobos, concelho contíguo ao Funchal a oeste, autarquia que lideram desde sempre e onde obtiveram 60,16% dos votos (cinco vereadores), seguindo do Chega (12,32 %, um vereador) e do JPP (10,62%, um vereador). O executivo será agora liderado por Celso Bettencourt.Na Ribeira Brava, a coligação PSD/CDS-PP, encabeçada por Jorge Santos, obteve 51,60% dos votos e elegeu cinco vereadores, ao passo que o movimento Ribeira Brava em Primeiro, que liderava a autarquia, elegeu dois vereadores, com 29,55% dos votos.Em Santana, na costa norte da Madeira, o CDS-PP voltou a ganhar, com 63,95 %, mantendo a autarquia que lidera desde 2013.O executivo de Santana, chefiado por Dinarte Fernandes, fica composto por quatro elementos do CDS-PP e um da coligação PSD/CDS-PP, sendo que os democratas-cristãos venceram também nas seis freguesias do concelho.O JPP, encabeçado por Élia Ascensão, segurou a Câmara Municipal de Santa Cruz, onde governa desde 2013, obtendo 47,00% dos votos, com quatro vereadores, seguindo da coligação PSD/CDS-PP, com 35,26% e três vereadores.O JPP voltou a vencer também nas cinco freguesias que compõem o concelho, onde surgiu como movimento de cidadãos em 2009, sendo hoje o maior partido da oposição madeirense, com 11 deputados na Assembleia Legislativa, e tem um eleito na Assembleia da República.Na ilha/concelho do Porto Santo, venceu a coligação PSD/CDS-PP, com 56,16%, e o social-democrata Nuno Batista foi reconduzindo na presidência do executivo, agora composto por três elementos da coligação e dois do movimento UNE – Uma Nova Esperança, que obteve 28,84% dos votos.Os cadernos eleitorais indicam que a Região Autónoma da Madeira tem 255.975 eleitores inscritos, dos quais 104.484 no concelho do Funchal.Nestas eleições votaram 138.890 pessoas na região, o que representa 54,60% do total de inscritos.O PSD sempre foi o partido mais votado na Madeira e chegou mesmo a governar todos os concelhos do arquipélago (1979, 1982, 1985, 2001, 2005 e 2009), quando o partido era liderado por Alberto João Jardim.No total da região, considerando apenas as 11 câmaras municipais, a coligação PSD/CDS-PP venceu estas autárquicas com 32,63% e 27 eleitos, seguindo do JPP (18,09%, oito eleitos), PS (13,38%, 10 eleitos), PSD (11,65%, 12 eleitos), Chega (11,31%, seis eleitos), CDS-PP (2,83%, quatro eleitos) e o movimento UNE (2,43 %, quatro).